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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Os judeus que viveram antes do Advento do Senhor, como também os que viveram depois, não tiveram dos ritos de sua igreja outra opinião senão que o culto Divino consistia somente nos externos; eles não se importavam em nada com o que eles representavam e significavam. Com efeito, eles não sabiam e não queriam saber que havia um interno do culto e da Palavra, assim, que havia uma vida depois da morte, consequentemente, que havia um céu, porquanto eles eram inteiramente sensuais e corporais, e por estarem nos externos separados dos internos, o culto, relativamente a eles, não foi outro senão o culto idolátrico; é por isso que eles eram muitíssimo inclinados a adorar deuses quaisquer que fossem, contanto que estivessem persuadidos de que esses deuses pudessem fazê-los prosperar.
[2] Mas, porque essa nação era tal que eles podiam estar no santo externo e, assim, considerar como santos os ritos pelos quais eram representadas as coisas celestes do Reino do Senhor, e ter uma santa veneração por Abrahão, Isaque e Jacó, e também por Moisés e Aharão, e depois por Davi, pelos quais era representado o Senhor, e principalmente ter santidade pela Palavra, na qual todas e cada uma das coisas são representativas e significativas dos Divinos, por isso nessa nação foi instituída a Igreja representativa. Se, porém, essa nação tivesse conhecido os internos até o reconhecimento, então ela os teria profanado, e assim quando estivesse no santo externo estaria ao mesmo tempo no profano interno, assim não poderia haver absolutamente nenhuma comunicação dos representativos com o céu por essa nação. Daí vem que os interiores não tenham sido descobertos, e sequer souberam que o Senhor estava interiormente em tais internos para salvar as suas almas.
[3] Como a tribo de Judá, mais do que as restantes, foi tal, e que hoje, assim como outrora, os judeus têm como santos os ritos que podiam ser observados fora de Jerusalém, e também têm uma santa veneração por seus pais, e principalmente santidade pela Palavra do Antigo Testamento, e que fora previsto que os cristãos quase rejeitariam essa Palavra, e também manchariam os seus internos com coisas profanas, por isso essa nação foi conservada até agora, segundo as palavras do Senhor em Mateus, cap. 24:34. Seria diferente se os cristãos, do mesmo que conhecem os internos, vivessem também como homens internos; se isso tivesse acontecido, essa nação teria sido destruída como outras nações desde muitos séculos.
[4] Mas eis o acontece com essa nação, é que o seu santo externo, ou o santo do culto, em nada pode afetar os seus internos, porque esses internos estão imundos por causa de um sórdido amor de si e um sórdido amor do mundo, e também pelo estado idolátrico: porque adoram os externos sem os internos; e assim eles vivem porque não têm em si coisa alguma do céu, e não podem levar com eles para a outra vida coisa alguma do céu, exceto poucos dentre eles que estão no amor mútuo e, assim, não vivem no desprezo pelos outros povos comparados a si.

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