Texto
. Ainda que a linguagem que está na Palavra se mostre simples diante do homem, e rude em alguns lugares, é a linguagem angélica mesma, mas nos últimos. De fato, quando a linguagem angélica, que é espiritual, cai nas palavras humanas, não pode cair em outra linguagem senão em tal, porquanto cada uma das coisas que estão nela representam, e cada um dos vocábulos significa. Os antigos, porque tiveram interação com os espíritos e os anjos, não tiveram outra linguagem. A linguagem deles era repleta de coisas representativas e havia em cada coisa representativa um sentido espiritual. Os livros dos antigos foram também escritos assim, porque falar e escrever assim era a aplicação da sabedoria deles. Pode-se também ver, a partir disso, o quanto o homem depois se afastou do céu; hoje ele sequer sabe que na Palavra há outra causa além do que aparece na letra, nem mesmo que há nela um sentido espiritual; tudo que se diz além do sentido literal é chamado místico, e é rejeitado simplesmente por isso. Daí vem também que a comunicação com o céu foi hoje interceptada a tal ponto que poucos creem que há um céu; e, o que causa espanto, é que o número dos que creem é muitíssimo menor entre os instruídos e os eruditos do que entre os simples.