Texto
. ‘E chamou Esaú, seu filho maior’; que signifique a afeição do bem natural ou o bem da vida, é o que se vê pela representação de ‘Esaú’, que é o Divino Bem do Natural (n. 3300, 3302, 3322); e como o bem do natural é o que se mostra na afeição e na vida, é, portanto, a afeição do bem do Natural ou o bem da vida, que aqui é representado por ‘Esaú’. A afeição do bem no Natural e, daí, o bem da vida, é o que é dito ‘filho maior’, mas a afeição do vero e, daí, a doutrina do vero, é o que é dito ‘filho menor’. Que a afeição do bem e, portanto, o bem da vida, seja o ‘filho maior’, isto é, o primogênito, vê-se de um modo manifesto a partir disso, que as crianças, antes de todas as coisas, estão no bem, pois estão no estado de inocência, no estado de amor para com seus pais e sua ama, e no estado de caridade mútua para com as crianças suas companheiras; dessa forma, para cada homem o bem é o primogênito. Esse bem em que o homem é assim iniciado quando criança permanece, pois tudo que é imbuído desde a infância se reveste da vida, e como esse bem permanece, ele se torna o bem da vida.Com efeito, se o homem estivesse sem um tal bem que ele trouxera consigo desde a infância, ele não seria homem, mas seria mais feroz do que uma fera da selva. De fato, não parece que esse bem esteja presente, porque tudo de que ele foi imbuído na idade da infância, isto não aparece de outro modo senão como natural, como se evidencia suficientemente pela marcha, pelos outros movimentos do corpo, pelos costumes e pelo decoro da vida civil; depois, pela linguagem e por muitas outras coisas. Daí também se pode ver que o bem é o ‘filho maior’, isto é, o primogênito, e daí, que o vero é o ‘filho menor’, ou o gerado em segundo lugar, pois o vero não é aprendido senão na idade da meninice, da adolescência e na idade adulta.
[2] Um e outro, tanto o bem como o vero, que está no homem natural e externo, é um filho, a saber, um filho do homem racional ou interno, pois tudo que existe no homem natural ou externo, isto influi do homem racional ou interno, e dele também existe e nasce; o que não existe nem nasce daí não é um humano vivo, seria como se fosse dito o sensual corporal sem a alma. Daí vem que, tanto o bem quanto o vero são chamados filhos do racional; contudo, não é o racional que produz e gera o natural, mas é o influxo por meio do racional no natural, influxo que procede do Senhor. Por isso, os filhos do Senhor são todas as crianças que nascem e, em seguida, quando se tornam sábios; quanto mais eles forem também ao mesmo tempo crianças — isto é, estiverem na inocência da infância, no amor da infância aos pais, então ao Senhor, e na caridade mútua da infância para com as crianças que acompanham, que então são o próximo —, tanto mais são adotados como filhos pelo Senhor.