Texto
. ‘Rebeca ouvia Isaque ao falar a Esaú, seu filho’; que signifique a afeição do vero e a vida que provém dela, é o que se vê pela representação de ‘Rebeca’, que é o Divino Racional do Senhor quanto ao Divino Vero conjunto ao Divino Bem ali, assim, que é a afeição mesma do vero; e pela significação de ‘ouvia Isaque ao falar’, que é a vida daí proveniente; porquanto ‘ouvir ao falar’, no sentido interno, é o influxo por causa disso: que ‘ouvir’, no sentido representativo, é obedecer (n. 2542), e ‘falar’ é querer e influir (n. 2626, 2951, 3037); assim, no sentido supremo, ‘ouvia ao falar’ é a vida que daí provém, a saber, a vida do Divino Vero proveniente do Divino Bem; ‘ao seu filho’, no sentido interno, a respeito do bem natural, e, por isso, a respeito do vero do natural. Que esse seja o sentido dessas palavras, não se mostra assim, porque este sentido se afasta de tal modo do da letra, que é histórico; mas mesmo assim esse é o sentido. As ideias angélicas são, com efeito, inteiramente dissemelhantes das ideias humanas; as ideias angelicais são espirituais e, quando vão ao interior, são celestes; as ideias humanas por sua vez são naturais e, quando provêm dos históricos, são sensuais; mas a realidade é que foi estabelecido pelo Senhor, por intermédio da Palavra, entre as coisas espirituais, que pertencem ao céu, e as coisas naturais, que pertencem ao mundo, uma tal correspondência, que as ideias naturais são vertidas em ideias espirituais, e isso no mesmo instante. Daí vem que há conjunção do céu com o mundo por meio do homem, e seguramente por meio da Palavra, por conseguinte, por meio da igreja, na qual há a Palavra. Que haja correspondências das coisas naturais e das espirituais em todas e cada uma das coisas, correspondências que podem, contudo, ser compreendidas e percebidas pela mente, é o que, pela Divina Misericórdia do Senhor, ver-se-á pelas explicações que serão dadas, pela experiência, a respeito do Máximo Homem, no fim dos capítulos seguintes.