Texto
. ‘E eu coma’; que signifique a apropriação assim, é o que se vê pela significação de ‘comer’, que é apropriar-se (n. 2187, 2343, 3168, 3503); a apropriação se faz quando, pelas coisas amenas e deleitáveis são insinuados no natural os veros ou as cognições do bem e do vero; e quando esses veros ali são adjuntos ao bem, então se faz uma comunicação com o vero e bem do Racional, portanto, com o Racional; é essa comunicação que é denominada apropriação, pois eles pertencem ao Racional no Natural. Com efeito, há entre as coisas que estão no racional e as que estão no natural a mesma relação que há entre as coisas particulares e as gerais. Sabe-se que a partir dos particulares existe o geral, e que sem os particulares não existe geral algum; o geral dos particulares do racional é o que se apresenta no natural; e como é um geral, ele aparece sob uma outra forma, e isso segundo a ordem dos particulares que constituem, assim, segundo a forma que vem dali. Se são os singulares e, daí, os particulares do bem celeste e do vero espiritual que formam o geral no natural, então existe uma forma celeste e espiritual, e em cada uma das coisas do geral é representada, em uma sorte de imagem, alguma coisa de céu; mas se os singulares e os particulares que formam os gerais no natural pertencem não ao bem e ao vero, mas ao mal e ao falso, então em cada uma das coisas do geral é representada, em imagem, alguma coisa do inferno.
[2] Tais são as coisas que são significadas por ‘comer e beber’, na Santa Ceia; e também por ‘comer’ e ‘beber’ é significada a apropriação, a saber: por ‘comer’, apropriação do bem, e por ‘beber’, a apropriação do vero. Se o bem, a saber, o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo, formam o homem interno, ou racional, e por meio deste o externo ou natural correspondente, então o homem se torna, no particular e no geral, a imagem do céu, por conseguinte, a imagem do Senhor. Porém, se é o desprezo pelo Senhor e o bem e pelo vero da fé, e também o ódio em relação ao próximo que formam, então o homem se torna, no particular e no geral, a imagem do inferno, e ainda mais quando isso é feito ao mesmo tempo no [estado] santo, pois daí vem a profanação; são essas as coisas que são significadas por essas palavras: “que àqueles que comem e bebem dignamente a vida eterna é apropriada, mas os que comem e bebem indignamente apropriam-se da morte.”