Texto
. ‘Vai peço[-te], ao rebanho’; que signifique o bem natural doméstico não conjunto ao Divino Racional, é o que se vê pela representação do ‘rebanho’, que é o bem (n. 343, 415, 1565); aqui, o bem natural, porque essas palavras são ditas a Jacó, e realmente ao bem doméstico, porque estava em casa; mas o campo de onde ‘Esaú’, por quem é significado o bem do natural, devia tomar a sua caça (n. 3500, 3508), era o bem não doméstico; aliás, o ‘rebanho’, na Palavra, é predicado do bem do Racional, mas então o ‘gado’ [ou armento] é predicado do bem do Natural (ver n. 2566). O bem natural doméstico é esse bem que o homem deriva de seus pais, ou seja, o bem em que ele nasce, pelo qual ele se distingue do bem do natural, que influi do Senhor (ver n. 3470, 3471); é por causa da distinção que um é chamado ‘bem do natural’, mas o outro ‘bem natural’. Além disso, cada homem recebe, procedente de seu pai, um bem doméstico, e um procedente de sua mãe, bens que em si mesmos são também distintos: o que ele recebe de seu pai é interior, o que ele recebe de sua mãe é exterior. No Senhor, esses bens foram muitíssimo distintos, pois o Bem que Ele teve do Pai foi Divino, mas o que Ele teve de Sua mãe era contaminado pelo mal hereditário; esse Bem no Natural, que o Senhor teve do Pai, foi o proprium d’Ele, porque era a Sua Vida mesma, e é esse Bem que é representado por ‘Esaú’; mas o bem natural que o Senhor derivou de Sua mãe, porque proveio do mal hereditário contaminado, foi em si o mal, e é esse bem que se entende por ‘bem doméstico’. Esse bem, apesar de ser tal, ainda assim serviu para a reforma do Natural, mas depois de ter servido, ele foi rejeitado.
[2] Em cada homem que é regenerado efetua-se a mesma coisa: o bem que o homem recebe do Senhor como de um novo Pai é interior, mas o bem que ele traz de seus pais é exterior. Esse bem que ele recebe do Senhor é chamado espiritual, mas este que ele deriva de seus pais é chamado bem natural; este bem, a saber, o que ele tira de seus pais, serve em primeiro lugar para a sua reforma, visto que por meio desse bem são introduzidos, como por uma volúpia e um prazer, os conhecimentos e, depois, as cognições do vero; mas depois que ele tiver servido como meio para esse uso, ele é daí separado, e então o bem espiritual se produz e se manifesta. Pode-se ver isto por muitas experiências, por exemplo, somente a partir desta: quando um menino é pela primeira vez instruído, ele é afetado do desejo de saber, primeiro não por causa de um fim manifesto, mas sim por uma certa voluptuosidade e um certo prazer inato, e por outros motivos; depois, quando ele cresce, ele é afetado do desejo de saber por causa de algum fim, por exemplo, para que esteja em excelência mais do que os outros ou do que os rivais; em seguida, por causa de algum fim no mundo. Quando, porém, ele está sendo regenerado, ele é afetado do prazer e da amenidade do vero, e quando é regenerado, o que acontece na idade adulta, ele é afetado do amor do vero e, depois, do amor do bem. Então os fins que tinham precedido, e os prazeres deles, são paulatinamente separados. A esses fins sucede um bem interior que procede do Senhor e se manifesta na afeição dele. Daí é evidente que os prazeres anteriores, que apareceram na forma externa como bens, tinham servido como meio. Tais sucessões dos meios são contínuas.
[3] Acontece com essas coisas, comparativamente, assim como com uma árvore que, na primeira idade ou no primeiro tempo da primavera, orna os seus galhos com folhas, depois, prosseguindo na idade ou na primavera, decora-se com flores e, em seguida, pelo verão, produz a primeiras germinações dos frutos, que depois se tornam frutos e, por fim, ela deposita neles as sementes nas quais ele tem, em potência, árvores novas semelhantes, e um jardim inteiro, se forem ativamente disseminadas. Na natureza há tais coisas comparativas, que também são representativas, pois toda a natureza é um teatro representativo do Reino do Senhor nos céus, daí, do Reino do Senhor nas terras, ou seja, na igreja, e, portanto, do Reino do Senhor em cada um que é regenerado. Daí é evidente como o bem natural, ou doméstico, embora seja meramente um prazer externo, e de fato um prazer mundano, serve como meio para produzir o bem do Natural, que se conjunge com o bem do Racional, e assim se torna um bem regenerado, ou espiritual, isto é, um bem que procede do Senhor. Estas são as coisas que são representadas e significadas neste capítulo por ‘Esaú’ e por ‘Jacó’.