Texto
. ‘Talvez meu pai me apalpasse’; que signifique o grau íntimo da perfeição, é o que se vê pela significação de ‘apalpar’ e, por conseguinte, de ‘sentir’, que é o íntimo e o todo da percepção; e pela significação do ‘pai’, que é o bem, aqui o Divino, porque se trata do Senhor. Que ‘apalpar’ seja o íntimo e o todo da percepção, vem de que todo sensitivo se refere ao sentido do tato, e isso é derivado e existe pelo perceptivo, porquanto o sensitivo não é outra coisa senão um perceptivo externo, e o perceptivo não é outra coisa senão um sensitivo interno. (O que é o perceptivo ou a percepção, foi visto, n. 104, 371, 495, 503, 521, 532, 1383 a 1398, 1616, 1919, 2145, 2171, 2831 no começo.) Além disso, todo sensitivo e todo perceptivo, que se mostra tão variado, se refere a um único sentido comum e universal, a saber, ao sentido do tato; as variedades, como o paladar, o olfato, a audição e a visão, que são sensitivos externos, não são senão gêneros do tato oriundos do sensitivo interno, isto é, do perceptivo. Essas coisas podem ser confirmadas por muitas experiências, mas, pela Divina Misericórdia do Senhor, tratar-se-á delas em seu lugar. Daí é evidente que ‘apalpar’ é, no sentido interno, o íntimo e o todo da percepção. Além disso, todo perceptivo, que é um sensitivo interno, existe a partir do bem, mas não a partir do vero, a não ser desde o bem por meio do vero, porquanto a vida Divina do Senhor influi no bem, e por meio desse, no vero, e assim determina a percepção. Daí se pode ver o que significa ‘se meu pai me apalpasse’, que, a saber, é o íntimo e o todo da percepção procedente do bem, assim, procedente do Divino do Senhor.