Texto
. ‘E o abençoou’; que signifique a conjunção assim, é o que se vê pela significação de ‘ser abençoado’, que é a conjunção (n. 3504, 3514, 3530, 3565). Por cada uma dessas coisas que foram ditas a respeito de Esaú e de Jacó, pode-se ver que o Bem do Racional se tenha conjungido intimamente com o Bem do Natural, e ali por meio do Bem com o Vero. Com efeito, ‘Isaque’ representa o Racional quanto ao Bem, ‘Rebeca’, o Racional quanto ao Vero, ‘Esaú’, o Bem do Natural, e ‘Jacó’, o Vero do Natural. Que o Racional quanto ao Bem, que é ‘Isaque’, tenha se conjungido intimamente com o Bem do Natural, que é ‘Esaú’, e não com o Vero do Natural, que é ‘Jacó’, a não ser mediatamente, é evidente a partir disso: que Isaque tenha tido em mente Esaú quando pronunciou a bênção a Jacó, e não tinha ele pensado em Jacó, mas sim em Esaú. Aquele que pronuncia uma bênção abençoa aquele a respeito do qual pensa, então não aquele a respeito do qual não pensa. Toda bênção sai do interior, ela tem em si a vida a partir do querer e do pensar daquele que abençoa, por isso ela pertence essencialmente àquele a quem se quer dá-la e a respeito do qual se pensa. Aquele que a apanha e, assim, a faz sua, é como o que [tem] o que foi furtado que deve ser restituído a um outro. Que Isaque, quando abençoou, tenha pensado em Esaú e não em Jacó, é o que se pode ver por todas e cada uma das coisas que precedem, por exemplo, pelos vers. 18 e 19, em que Isaque diz a Jacó: “Quem [és] tu, meu filho? E disse Jacó a seu pai: Eu [sou] Esaú, teu primogênito”; pelos vers. 21, 22, 23: “Disse Isaque a Jacó: Chega, peço, e apalpar-te-ei, meu filho, se tu és o meu filho Esaú ou não”; e depois que o apalpou, ele disse: “A voz [é] a voz de Jacó, e as mãos, mãos de Esaú. E não o reconheceu”; depois pelo vers. 24: “E disse: Tu [és] esse meu filho Esaú? E disse: Eu [sou]”; e finalmente, quando o beijou, ele “cheirou o cheiro das vestimentas dele”, a saber, das vestimentas de Esaú, e então quando o abençoava, disse: “Vede, o cheiro do meu filho”. Daí é evidente que, pelo filho que ele abençoou, ele não entendeu outro senão Esaú. É também por essa razão que, quando ouviu de Esaú que tinha sido Jacó, “Isaque estremeceu de um estremecimento muito grande” (vers. 33); “e disse: Veio o teu irmão com fraude” (vers. 35). Mas que Jacó tenha retido a bênção, segundo as coisas que foram ditas (vers. 33 e 37), é porque o vero representado por ‘Jacó’ devia, quanto ao tempo, dominar aparentemente, como acima se demonstrou algumas vezes.
[2] Mas, depois que o tempo da reforma e da regeneração se cumpriu, o bem mesmo, que estava intimamente oculto e, por esse modo, tinha disposto todas e cada uma das coisas que tinham parecido pertencer ao vero ou as que o vero atribuíra a si, mostra-se então e domina abertamente; são essas as coisas que são significadas pelas palavras que Isaque disse a Esaú:
“E sobre a tua espada viverás, e ao irmão teu servirás, e acontecerá [que], quando dominares, e quebrarás o jugo dele de cima do teu pescoço” (vers. 40);
o sentido interno dessas palavras é que o bem está em aparência em um lugar inferior enquanto o vero se conjunge ao bem, mas que ele estará no primeiro lugar; e então haverá conjunção do racional com o bem do natural, e por meio desse bem com o vero; e assim o vero pertencerá ao bem. Por conseguinte, então ‘Esaú’ representará o bem mesmo do natural, e ‘Jacó’, o vero mesmo do natural, conjuntos ao racional; assim, no sentido supremo, o Divino Natural do Senhor, Esaú quanto ao Divino Bem, Jacó quanto ao Divino Vero que está neste Bem.