Texto
. ‘E DEUS te dará do orvalho do céu’; que signifique a partir do Divino Vero. ‘E das gorduras da terra’; que signifique a partir do Divino Bem, é o que se vê pela significação do ‘orvalho do céu’, que é o vero (de que se tratará); e pela significação das ‘gorduras’, que são o bem (n. 353), um e outro Divinos no sentido supremo, em que são predicados do Senhor. Assim acontece com a multiplicação do vero e com a frutificação do bem: O racional, quando influi no natural, fixa ali o seu bem em uma forma geral; por meio desse bem ele produz ali veros, quase do mesmo modo como a vida compõe as fibras no homem, e as dispõe em formas segundo os usos; esse bem, por meio desses veros dispostos em ordem celeste, produz novamente um bem, e por esse bem ele produz novamente veros, que são derivações. Pode-se fazer uma semelhante ideia natural da formação do vero pelo bem [a bono], e novamente do bem por meio do vero [per vero], por meio do que o bem produz de novo o vero. Mas não pode haver uma ideia espiritual senão entre aqueles que estão na outra vida, pois ali as ideias são formadas pela luz do céu, na qual há inteligência.
[2] Que o ‘orvalho’ signifique o vero, vê-se também por outras passagens da Palavra, por exemplo, em Zacarias:
“A semente de paz, a vide dará o seu fruto, e a terra dará o seu produto, e os céus darão o seu orvalho” (8:12);
onde se trata de uma nova igreja; ‘a vide dará seu fruto’ está em lugar de que o espiritual da igreja, ou o vero da fé, dará o bem; e ‘a terra dará o seu produto’ está no lugar de o celeste da igreja, ou o bem da caridade, dará o vero; o ‘orvalho’ que os céus darão são esse bem e esse vero. Em Ageu:
“Por causa da minha casa, que foi devastada, ...sobre vós foram fechados os céus do [seu] orvalho, e a terra foi fechada do seu produto240” (1:9, 10);
O ‘orvalho dos céus’ e o ‘produto da terra’, que foram retidos, estão em lugar de coisas semelhantes às de acima.
[3] Em Davi:
“Do útero da aurora, teu [será] o orvalho da tua natividade” (Sl. 110:3, 4);
trata-se do Senhor, o ‘orvalho da natividade’ está pelo celeste do amor. Em Moisés:
“Bendita de JEHOVAH [seja] a terra dele, das coisas preciosas do céu, do orvalho, e também do abismo que jaz embaixo” (Dt. 33:13);
trata-se de José; as ‘coisas preciosas do céu’ são as coisas espirituais (n. 3156), que são o ‘orvalho’; o ‘abismo que jaz embaixo’ são as coisas naturais. No mesmo:
“Israel habitou em segurança, solitário, à fonte de Jacó, na terra do grão e do mosto, até os [seus] céus instilavam o orvalho” (Dt. 33:28);
aí também o ‘orvalho que os céus instilavam’ estão pelas coisas espirituais que pertencem ao vero.
[4] O ‘orvalho’, no sentido genuíno, é o vero que pertence ao bem que provém do estado de inocência e de paz, visto que pela ‘manhã’ ou pela ‘aurora’, quando o orvalho desce, são significados esses estados (n. 2333, 2405, 2504, 2780); também por isso o maná, que caia do céu, estava com o orvalho que descia no tempo do amanhecer, como se pode ver em Moisés:
“Ao amanhecer, houve uma camada de orvalho ao redor do acampamento, e quando desapareceu a camada de orvalho, eis, sobre as faces do deserto, [algo] moído, redondo, moído como a geada sobre a terra” (Êx. 16:13, 14).
Quando “descia orvalho sobre o campo de noite, descia o maná sobre ele” (Nm. 11:9). O maná, porque era o pão do céu, significava, no sentido supremo, o Senhor quanto ao Divino Bem, daí, no homem, o celeste do amor, pois este celeste procede do Divino do Senhor (n. 276; 680, 1798, 2165, 2177, 3464, 3478); o ‘orvalho no qual e com o qual descia o maná’ está em lugar do Divino Vero, no sentido supremo, e no lugar do vero espiritual nos homens, no sentido relativo; o ‘tempo do amanhecer’ é o estado de paz em que estão esses bens (n. 92, 93, 1726, 2780, 3170).
[5] Como o ‘orvalho’ significa o vero que procede do bem, ou, o que é o mesmo, o espiritual que procede do celeste, por isso também, na Palavra, o vero espiritual é ‘comparado’ ao orvalho, pois as coisas que significam também servem para comparação da coisa mesma; por exemplo, em Isaías:
“Assim me disse JEHOVAH: Repousarei e olharei no Meu habitáculo, como um calor sereno sobre a luz, como a uma nuvem de orvalho quando se aquece a messe” (18:4).
Em Oseias:
“Que farei a ti Efraim? Que farei a ti Judá? Porque a vossa santidade se vai como uma nuvem de aurora, e como o orvalho que cai de manhã” (6:4; 13:3).
No mesmo:
“Serei como o orvalho de Israel, germinará como o lírio, e fincará raízes como o Líbano” (Os. 14:6).
Em Miqueias:
“Estarão os remanescentes de Jacó, no meio de muitos povos, assim como o orvalho de junto de JEHOVAH, como gotas sobre a erva” (5:6).
Em Davi:
“Como o azeite bom sobre a cabeça, ...o qual desce sobre a orla das vestimentas de Aharão, como o orvalho de Hermon, que desce sobre as montanhas de Sião, porque ali JEHOVAH ordenou a bênção da vida até o século” (Sl. 133:2, 3).
Em Moisés:
“Dimanará como a chuva a minha doutrina, instilará como orvalho a minha palavra; como a gotas sobre a relva, e como gotas sobre a erva” (Dt. 32:2);
aí o ‘orvalho’ está pela multiplicação de vero proveniente do bem e pela frutificação do bem por meio do vero; e como é o ‘orvalho’ que a cada manhã fertiliza o campo e a vinha, o bem mesmo e o vero mesmo são significados pelo ‘grão’ e o ‘mosto’, dos quais se tratará na sequência.