ac 3596

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E o abençoei, também bendito será’; que signifique que ele foi conjunto, vê-se pela significação de ‘ser abençoado’, que é ser conjunto (n. 3504, 3514, 3530, 3565, 3584). O modo como acontece a apropriação e a conjunção do vero representado por Jacó, pode-se ver pelas coisas que foram ditas precedentemente; essas coisas, porque são tais, transcendem a compreensão do homem natural, e não podem ser vistas senão na luz em que está o racional, ou seja, o homem interno, luz que poucos possuem hoje, porque poucos são regenerados. Por isso, é preferível, pois, não ilustrá-las mais, pois a ilustração de coisas desconhecidas e que transcendem a compreensão não é lançá-las na luz, mas lançá-las ainda mais na sombra; além de que tais coisas deveriam ser estabelecidas sobre ideias de verdades naturais, por cujo meio elas poderiam ser compreendidas, ideias que hoje também faltam. É também por isso que o que precede imediatamente foi explicado de um modo tão conciso, e somente quanto ao sentido interno das palavras.
[2] Pelas coisas que precedem, pode-se ver o que envolve que Isaque tenha pedido de seu filho uma caça para que comesse dela antes de abençoá-lo, e que não abençoou antes, senão depois que comeu, e que, assim, é depois de ter comido que se seguiu a bênção daquele que fez e trouxe, como também se vê pelas palavras de Isaque aqui a respeito de Jacó: “trouxe para mim e comi de tudo antes que vieste, e o abençoei, e também bendito será”. A causa torna-se evidente pelo entendimento interno dos ritos da Antiga Igreja, pois entre eles a ação de comer significava a apropriação e a conjunção, e a conjunção com aquele com que eles comeram, ou de quem comeram pão, a conjunção com ele. A comida em geral significava as coisas que pertencem ao amor e à caridade, isto é, as mesmas coisas que são a comida celeste e espiritual. O pão ali significava as coisas que pertencem ao amor ao Senhor, e o vinho, as que pertencem à caridade para com o próximo. Essas coisas, quando tinham sido apropriadas, eles eram conjuntos; assim eles falavam mutuamente a partir da afeição e eram consociados. Os banquetes entre os antigos não foram outra coisa, as refeições feitas das coisas santificadas na Igreja Judaica não representavam outra coisa; os jantares e as ceias na Igreja Cristã primitiva não envolviam também outra coisa.

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