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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Conversei algumas vezes com os espíritos a respeito dos eruditos do nosso século, sobre o fato de que esses eruditos nada saibam senão distinguir o homem em interno e externo, e isso não a partir de uma reflexão sobre os interiores dos pensamentos e das afeições neles próprios, mas a partir da Palavra do Senhor; e que, apesar disso, eles desconheçam o que é o homem interno, e, mais ainda, que muitos duvidem que ele exista, e que também neguem; o motivo vem de que eles vivem não a vida do homem interno, mas da vida do homem externo; e que muito os seduza que os brutos animais se apresentem semelhantes a eles quanto aos órgãos, às vísceras, aos sentidos, aos apetites e às afetações. E foi dito que os eruditos sabem menos a respeito de tais coisas do que os simples, e que, apesar disso, eles se veem como sabendo muito mais. Com efeito, eles discutem acerca da interação da alma e do corpo, e, mais ainda, acerca da alma mesma para saberem o que é, quando todavia os simples sabem que a alma é o homem interno, e que ela é o seu espírito que deve viver depois da morte do corpo; depois, que ela é o homem mesmo que está no corpo.
[2] Além disso, que os eruditos, mais do que os simples, se assemelham aos brutos e atribuem todas as coisas à natureza, e dificilmente alguma coisa ao Divino; depois, que eles não refletem que o homem tem consigo que, mais do que os brutos animais, possa pensar a respeito do céu e de Deus, e assim ser elevado acima de si próprio, consequentemente, ser conjunto ao Senhor por meio do amor, e assim, que não possam, depois da morte, senão viver pela eternidade; e que eles ignorem principalmente que todas e cada uma das coisas no homem estão sob a dependência do Senhor por intermédio do céu, e que o céu seja o Máximo Homem, ao qual correspondem todas e cada uma das coisas que estão no homem, e também cada uma das que estão na natureza. E, quando estas coisas forem ouvidas e lidas, as quais serão para eles paradoxos tais, que, a não ser que a experiência as confirme, talvez eles as rejeitem como coisa fantasiosa, o mesmo acontecerá, quando se ouvir que há três graus da vida no homem assim como há três graus da vida nos céus, isto é, três céus, e que o homem deve, portanto, corresponder aos três céus para que ele mesmo se torne, em imagem, um pequeníssimo céu, quando ele está na vida do bem e do vero, e, por meio dessa vida, se torne uma imagem do Senhor.
[3] Fui instruído a respeito desses graus da vida, que o último grau da vida, que é chamado o homem externo, ou natural, seja o grau por meio do qual o homem é semelhante aos animais quanto às cobiças e fantasias; que o segundo grau, que é chamado homem interno, ou racional, seja o grau pelo qual o homem está acima dos animais, pois por este grau ele pode pensar e querer o bem e o vero, e governar o homem natural, reprimindo e também rejeitando as cobiças e as fantasias que dele provêm, e, além disso, refletindo dentro de si sobre o céu, e até sobre o Divino, o que os brutos animais absolutamente nunca podem fazer. Que o terceiro grau da vida seja aquele desconhecidíssimo pelo homem, e que, entretanto, é aquele pelo qual o Senhor influi na mente racional, de onde vem ao homem a faculdade de pensar como homem, e de onde lhe vem a consciência, e de onde lhe vem a percepção do bem e do vero, e, também, pelo Senhor, a elevação para Ele. Mas essas coisas estão afastadas das ideias dos eruditos deste século, estes se limitam a discutir se uma coisa existe, e enquanto se limitarem a isso, não podem saber que ela é, e menos ainda o que ela é.

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