ac 3762

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E foi à terra dos filhos do Oriente’; que signifique ‘para os veros do amor’, a saber, a elevação, é o que se vê pela significação da ‘terra dos filhos do Oriente’. Que Aram, ou a Síria, seja chamada ‘a terra dos filhos do Oriente’, é isso evidente, pois é para lá que Jacó se transportou (ver também n. 3249). Que pela ‘Síria’ em geral sejam significadas as cognições do bem, foi demonstrado (n. 1232, 1234); mas especificamente por Aram Naharaim266, ou a Síria dos rios, são significadas as cognições do vero (n. 3051, 3664). Aqui, porém, não se diz ‘a Aram’ ou ‘à Síria’, mas se diz ‘à terra dos filhos do Oriente’, a fim de significar aquilo de que se trata em todo este capítulo, a saber, a ascensão [ou subida] para os veros do amor. Chamam-se ‘veros do amor’ esses veros que em outro lugar foram chamados ‘veros celestes’, porquanto são as cognições a respeito da caridade para com o próximo e do amor ao Senhor. No sentido supremo, em que se trata do Senhor, são os veros do Divino Amor.
[2] Estes veros, a saber, os que se referem à caridade e ao amor ao Senhor, devem ser aprendidos antes que o homem possa ser regenerado, e devem ser reconhecidos e cridos; e quanto mais eles são reconhecidos, cridos e imbuídos na vida, tanto mais também se é regenerado, e então tanto mais eles são implantados no natural do homem, onde eles estão como em seu húmus. Eles são aí implantados primeiro pela instrução procedente dos pais e dos mestres, em seguida, pela oriunda da Palavra do Senhor, depois pela própria reflexão sobre eles; mas por esses meios eles são somente depositados na memória natural do homem, e ali incluídos entre as cognições; mas ainda não são reconhecidos, nem cridos e nem imbuídos, a não ser que haja vida em conformidade com eles, uma vez que, então, o homem chega na afeição, e quanto mais chega na afeição a partir da vida, tanto mais esses veros são implantados em seu natural como em seu húmus. Os veros que não são implantados assim estão na verdade no homem, mas apenas em sua memória como algo cognitivo ou histórico267, que não conduz a outra coisa senão a que possa falar a respeito dessas coisas, a se fazer por esse modo uma reputação, e ganhar, por essa reputação, riquezas e honras; mas então eles não foram implantados.
[3] Que pela ‘terra dos filhos do Oriente’ sejam significados os veros do amor, assim, as cognições do vero que tendem ao bem, é o que se pode ver pela significação dos ‘filhos’, que são os veros (n. 489, 491, 533, 1147, 2023); e pela significação do ‘Oriente’, que é o amor (n. 101, 1250, 3249); a terra deles, é o húmus no qual eles estão. Que os ‘filhos do Oriente’ sejam aqueles que estão nas cognições do vero e bem, por conseguinte, nos veros do amor, pode-se ver também em outras passagens da Palavra; por exemplo, no Primeiro Livro dos Reis:
“Multiplicada foi a sabedoria de Salomão mais do que a sabedoria de todos dos filhos do oriente, e mais do que toda a sabedoria dos egípcios” (5:10 [Em JFA, 4:30]);
onde pela ‘sabedoria dos filhos do oriente’ são significadas as cognições interiores do vero e do bem, por conseguinte, os que estão nessas cognições; pela ‘sabedoria dos egípcios’ é significado o conhecimento dessas mesmas cognições, conhecimento que está em um grau inferior. Que pelos ‘egípcios’ são significados os conhecimentos no geral, foi visto (n. 1115, 1155, 1462).
[4] Em Jeremias:
“Assim disse JEHOVAH: Levantai-vos, subi contra Kedar; devastai os filhos do oriente, tomarão as tendas e os rebanhos deles, tomarão as cortinas deles e todos os vasos deles e os camelos deles” (49: 28, 29);
que ali pelos ‘filhos do oriente’ se entendam os que estão nas cognições do bem e do vero, vê-se por isto, que ‘tomarão as tendas e os rebanhos deles’ e depois ‘as suas cortinas e todos os seus vasos’, bem como ‘os seus camelos’, porquanto pelas ‘tendas’ são significadas as coisas santas do bem (n. 414; 1102; 2145; 2152; 3312), pelo ‘rebanho’, os bens da caridade (n. 343, 2566), pelas ‘cortinas’, os santos veros (n. 2576, 3478), pelos ‘vasos’, os veros da fé e os conhecimentos (n. 3058, 3079), pelos ‘camelos’, os conhecimentos no geral (n. 3048, 3071, 3143, 3145); assim, pelos ‘filhos do Oriente’, aqueles que estão em todas essas coisas, isto é, os que estão nas cognições do bem e do vero.
[5] Que os sábios dentre os Orientais que vieram a Jesus quanto Ele nasceu tenham sido daqueles que foram chamados filhos do Oriente, pode-se ver a partir disto, que eles tenham estado na cognição de que o Senhor devia nascer, e porque o advento d’Ele tinha sido conhecido a partir da estrela que lhes apareceu no oriente; a este respeito se fala assim em Mateus:
“Quando Jesus nasceu em Belém da Judéia, ...eis [que] sábios dos orientais vieram a Jerusalém, dizendo: Onde está o nascido Rei dos Judeus? Pois vimos a Sua estrela desde o Oriente, e viemos adorá-Lo” (2:1, 2);
que entre os filhos do oriente, que eram da Síria, tal profecia existiu desde o tempo antigo, vê-se pela profecia de Balaão sobre a vinda do Senhor, em Moisés:
“Vejo-O, e não agora, avisto-O, e não próximo, sairá uma estrela de Jacó, e levantar-se-á um cetro de Israel” (Nm. 24:17);
que Balaão tenha sido da terra dos filhos do oriente, ou da Síria, é evidente por esta passagem em Moisés:
“Proferiu Balaão o seu enunciado, e disse: Da Síria trouxe-me Balak; dos montes do oriente” (Nm. 22:7);
esses sábios que vieram a Jesus quando Ele nasceu são chamados magos, mas assim eram chamados os sábios naquele tempo, como se vê em várias passagens, por exemplo: Gn. 41:8; Êx. 7:11; Dn. 2:27; 4:6, 7; 1Rs. 4:30; e aqui e ali nos Profetas.
[6] Que os ‘filhos do oriente’, no sentido oposto, signifiquem as cognições dos males e dos falsos, assim como os que estão nessas cognições, é o que se vê em Isaías:
“Afastar-se-á a rivalidade de Efraim, e os inimigos de Judá serão cortados; levarão sobre os lombos dos filisteus para o mar, e juntos depredarão os filhos do oriente” (11:13, 14).
Em Ezequiel:
“Contra os filhos de Amom, eis Eu te entreguei aos filhos do oriente por herança, e estabelecerão suas ordenações em ti” (25:4, 10).
No livro de Juízes:
“Quando semeou Israel, e subiu Midiã e Amalek, e os filhos do oriente, e subiram sobre ele” (6:3);
‘Midiã’ designa os que estão no falso porque não estão no bem da vida (n. 3242); ‘Amalek’, os que estão nos falsos, pelos quais eles atacam os veros (n. 1679); os ‘filhos do oriente’, os que estão nas cognições do falso.

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