ac 3816

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E me servirás de graça. Declara-me, qual [é] o teu pagamento?’; que signifique que haverá um meio de conjunção, é o que se vê pela significação de ‘servir de graça’, que é sem o obrigatório; é pela significação do ‘pagamento’, que é o meio de conjunção. O pagamento274 é algumas vezes mencionado na Palavra e ali, no sentido interno, ele não significa outra coisa senão o meio de conjunção; a causa é porque os anjos absolutamente nada querem ouvir a respeito do pagamento [ou recompensa], que seria por causa de alguma coisa neles mesmos, e eles até têm absolutamente aversão à ideia de pagamento [ou recompensa] por algum bem ou bom ato. Eles sabem, com efeito, que, em cada um, o que é próprio ou seu não é nada senão o mal, e que, sendo assim, tudo que eles fazem pelo proprium ou por eles mesmos, tem consigo o que é contrário ao pagamento [ou à recompensa]. Eles sabem também que todo bem vem do Senhor, e que esse bem influi unicamente da Misericórdia [d’Ele], assim, não vem deles para que pensem em pagamento [ou recompensa]. Ademais, o bem mesmo não se torna bem quando se pensa na recompensa por causa desse bem, porquanto o fim de si próprio logo se junta, e quanto mais ele se lhe junta, tanto mais ele introduz a negação de que o bem procede do Senhor e que procede da Misericórdia, por conseguinte, tanto ele repele o influxo, consequentemente, tanto mais afasta de si o céu e a bem-aventurança, que está no bem e na afeição do bem. A afeição do bem ou o amor ao Senhor e para com o próximo, tem em si a bem-aventurança e a felicidade, é isso que está na afeição mesma e neste amor. Fazer alguma coisa a partir da afeição e da bem-aventurança da afeição, e, ao mesmo tempo, pela recompensa, são coisas em si absolutamente opostas; daí vem, pois, que os anjos pela recompensa, quando ela é mencionada na Palavra, não percebem coisa alguma que diz respeito à recompensa, mas percebem aquilo que o Senhor lhes dá gratuitamente e por Misericórdia.
[2] Contudo, a recompensa [ou pagamento] serve de meio de conjunção aos que ainda não foram iniciados. Com efeito, os que ainda não foram iniciados no bem e na afeição do bem, isto é, que ainda não foram plenamente regenerados, não podem deixar de pensar também na recompensa [ou pagamento], porque o bem que eles fazem, eles o fazem não pela afeição do bem, mas pela afeição da bem-aventurança e da felicidade para si próprios, e, ao mesmo tempo, pelo temor do inferno; mas quando o homem é regenerado, isso fica invertido, e há a afeição do bem, e quando ela existe [o homem] não visa mais a recompensa.
[3] Isto pode ser ilustrado pelo que acontece na vida civil: Aquele que tem o amor à pátria, e que se acha em tal afeição para com a pátria, que é para ele o prazer de lhe fazer bem pelo bem-querer, seria doloroso [para ele] caso lhe fosse recusada essa faculdade, e suplicaria para que se lhe desse meios de fazer o bem, porquanto isso pertence à sua afeição, por conseguinte, à sua satisfação e à sua bem-aventurança. Assim, tal homem é também honrado e elevado às dignidades, porque elas são para ele os meios de servir à pátria, ainda que sejam chamadas pagamentos. Ao contrário, os que não estão em afeição alguma pela pátria e só têm afeição de si próprios e do mundo, trabalham por causa das honras e das riquezas, que eles consideram também como fins. Tais homens preferem a si do que a pátria, ou preferem o seu bem ao bem comum; eles são relativamente sórdidos, e, contudo, querem mais do que os outros que pareça que aquilo que fazem eles o fazem por um sincero amor; mas quando eles pensam consigo a respeito disso eles negam que alguém o faça e se admiram que alguém o possa fazer. Os que são tais na vida do corpo em relação à pátria ou ao bem público ali, são também tais em relação ao Reino do Senhor na outra vida. Com efeito, a afeição ou o amor de cada um o segue, porque a afeição ou o amor é a vida de cada um.

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