Texto
. ‘E Raquel teve inveja de sua irmã’; que signifique a indignação de que não era reconhecido como [o era] o externo, é o que se vê pela significação de ‘ter inveja’ [zelare], que é uma indignação, e de fato, porque não paria como Leah; pela representação de ‘Raquel’, que é o vero interior (n. 905); e pela significação da ‘irmã’, que é aqui ‘Leah’, que é o vero externo, pois Leah é o vero externo (n. 3793, 3819). Eis o que acontece com aqueles que estão sendo regenerados: Eles aprendem a conhecer o que é o vero interno, mas no começo eles não o reconhecem por uma fé tal que eles vivam segundo esse vero; com efeito, os veros internos foram conjuntos à afeição espiritual, que não pode influir antes que os veros externos tenham sido adaptados à correspondência com os internos.
[2] Seja, para exemplo, este vero interno: que todo bem procede do Senhor e que não há bem que proceda do proprium do homem. Este vero pode ser conhecido desde o começo da regeneração, mas ainda assim não ser reconhecido pela fé então em ato, porquanto reconhecê-lo pela fé e em ato é ter a percepção de que assim seja e a afeição de querer que seja assim, e isso em todo ato do bem; é enfim ter a percepção de que o bem proveniente do proprium não pode outra coisa senão olhar para si, assim, ter a si próprio em preferência mais do que os outros, consequentemente, ter desprezo pelos outros e, além disso, considerar o mérito no bem que se faz. É isso o que há no vero externo antes que o vero interno tenha sido conjunto a ele, e esses veros não podem ser conjungidos antes que a intuição de si comece a cessar e que a intuição do próximo comece a ser sentida. Daí se pode claramente ver o que se entende pela indignação de que o vero interno não fosse ainda reconhecido do mesmo modo que o externo.