ac 3928

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E chamou o nome dele Naftali’; que signifique a sua qualidade, a saber, a qualidade da tentação em que ele é vencedor e, também, a qualidade da resistência da parte do homem natural, é o que se vê pela significação do ‘nome’ e de ‘chamar o nome’, que é a qualidade (n. 144, 145; 1754, 1896, 2009, 2724, 3421). A qualidade mesma é o que é significado por ‘Naftali’, porque este filho foi chamado Naftali por causa das ‘lutas’; vem também daí que esse segundo vero geral da igreja é representado por Naftali, porquanto a tentação é o meio de conjunção do homem interno com o homem externo, afinal eles estão em discordância entre si, mas são, por meio das tentações, reconduzidos à concordância e à correspondência. O homem externo é sem dúvida tal, que por si ele não deseja outras coisas senão as corporais e mundanas, tais coisas são para ele o prazer de sua vida. Quando, porém, o homem interno foi aberto para o céu, e que ele deseja as coisas que pertencem ao céu, tal qual é esse homem interno nos que podem ser regenerados, então as coisas celestes são para ele prazeres. É entre essas duas partes de prazeres que existe o combate quando o homem está nas tentações. O homem então não sabe disso, porque não sabe o que é o prazer celeste, nem o que é o prazer infernal, e menos ainda, que eles são tão opostos; mas os anjos celestes não podem de modo algum estar com o homem em seu prazer corporal e mundano antes que esse prazer tenha sido reduzido à obediência, a saber, para que o prazer corporal e mundano exista não mais como fim, mas para o uso de servir ao prazer celeste, como se demonstrou acima (n. 3913). Quando isso se faz, os anjos podem estar com o homem em um e outro prazer, mas então o prazer no homem se torna em bem-aventurança, e finalmente felicidade na outra vida.
[2] Aquele que crê que o prazer do homem natural antes da regeneração não é infernal, e que ele não esteja possuído por espíritos diabólicos, muito se engana, e esse não sabe como acontece com o homem; a saber, antes da regeneração, ele está possuído, quanto ao seu homem natural, pelos gênios e espíritos infernais, embora lhe pareça que ele é como qualquer outro, então que ele pode estar no [estado] santo junto com os outros, e raciocinar a respeito dos veros e bens, e mesmo se crer confirmado nesses veros e bens. Se ele não percebe em si próprio alguma afeição pelo justo e o equitativo em sua função, e pelo vero e bem na sociedade e na vida, saiba, pois, que está em tal prazer em que estão os infernais, pois no prazer deles não há outro amor senão o amor de si e do mundo, e quando estes amores fazem o prazer, fica nula a caridade e nula a fé. Depois que este prazer prevaleceu, ele não é debelado nem dissipado por outro meio senão pela afirmação e o reconhecimento da santidade da fé e do bem da vida, o que é o primeiro intermediário significado por Dã (assim como se demonstrou acima), e depois pela tentação, que é o segundo intermediário, significado por Naftali, pois este intermediário segue o outro. Com efeito, os que não afirmam nem reconhecem o bem e o vero pertencentes à fé e à caridade, não podem vir a combate algum de tentação, porque nada há dentro deles que repugne o mal e o falso para os quais o prazer natural o leva.
[3] Na Palavra, em outras passagens em que Naftali é mencionado, por ele é significado o estado do homem depois das tentações, como na profecia de Jacó, então Israel:
“Naftali [é] cerva solta, que dá ditos de elegância” (Gn. 49:21);
‘cerva solta’ designa a afeição do vero natural no estado livre, que existe depois das tentações; esse estado está também na qualidade que existe nas tentações, que são significadas por Naftali, já que nas tentações se combate a partir da liberdade. Do mesmo modo na profecia de Moisés:
“A Naftali disse: Naftali está saciado de beneplácito, e cheio de bênção de JEHOVAH, o ocidente e o sul possuirá” (Dt. 33:23);
com efeito, as representações dos filhos de Jacó e das tribos se têm segundo a ordem em que eles são recenseados (n. 3862); e na profecia de Débora e de Barak:
“Zebulon, povo que dedicou a alma a morrer, e Naftali sobre as alturas do campo” (Juízes 5:18);
onde, no sentido interno, se trata também dos combates das tentações; e ele está entre aqueles que não temem coisa alguma do mal, porque eles estão nos veros e bens, o que é estar nas ‘alturas do campo’.

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