ac 4136

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Por que te ocultaste para fugir, e me furtaste e não me anunciaste?’ Que signifique o estado se a separação tivesse sido feita a partir do livre dele, é o que se vê pela significação de ‘se ocultar para fugir’, que é separar-se dele à força. Que ‘fugir’ seja separar-se, foi visto (n. 4113, 4114, 4120); pela significação de ‘me furtar’, que é tirar o que é caro e santo (n. 4112, 4113); e pela significação de ‘não me anunciar’, que aqui é pela separação (n. 4113). Daí se segue que por essas palavras é significado que a separação foi feita contra a vontade dele, quando, entretanto, ela deveria ter sido feita pelo livre. O estado do livre é significado e descrito pelas palavras que seguem agora, a saber: “Eu enviar-te-ia com alegria e com cânticos, com tambor e com cítara”; mas essas as palavras de Labão são segundo a sua fé então. Quanto ao que diz respeito à separação do bem intermediário de junto do bem genuíno naqueles que são regenerados, isto é, que ela se faça no livre, acima foi visto (n. 4110, 4111).
[2] Que isso ocorra assim, é o que não se manifesta ao homem, já que o homem não sabe o modo como os bens variam nele, e menos ainda o modo como é mudado o estado de cada bem, nem sequer sabe como o bem da infância varia e se muda em bem da meninice, e este no bem que o sucede e que é o da juventude, depois, no bem da idade adulta e, finalmente, no bem da velhice. Naqueles que não são regenerados, não são os bens que são mudados, mas são as afeições e os prazeres das afeições; mas naqueles que são regenerados há mudanças de estado dos bens, e isso desde a infância até o último instante de sua vida. Com efeito, é previsto pelo Senhor qual vida o homem deve viver, e como ele deve deixar-se conduzir pelo Senhor, e porque todas e cada uma das coisas, e até as mais singulares, são previstas, também isso é provido. O homem, porém, nada sabe do modo como se operam as mudanças de estado dos bens, e isso principalmente porque ele não tem cognição alguma dessas coisas, e hoje não deseja ter; e como o Senhor não influi imediatamente no homem e não o instrui imediatamente, mas influi nas suas cognições, portanto, mediatamente, é por isso que um indivíduo não pode de modo algum conhecer as mudanças de estado desses bens. E por ser tal o homem, isto é, privado das cognições dessas coisas, e que, além disso, há poucos hoje que se deixam regenerar, é por isso que se esses arcanos fossem mais plenamente explicados eles não poderiam ser compreendidos.
[3] Que haja poucos hoje que saibam alguma coisa sobre o bem espiritual, e poucos também que saibam alguma coisa sobre o livre, é o que me foi concedido conhecer, por experiência, pelos que do mundo cristão chegam na outra vida. É-me permitido referir somente um exemplo para ilustração: Havia um prelado que crera ser mais douto que os outros, e tinha até sido reconhecido pelos outros como douto durante sua vida; como tivesse tido má vida, ele se achava em tal estúpida ignorância sobre o bem e o livre, e sobre o prazer e a bem-aventurança que daí provém, que ele não sabia a menor diferença entre o prazer e o livre infernal, e o prazer e o livre celeste, e até dizia que não havia diferença alguma. Ora, se há uma tal ignorância, até com aqueles que passam por mais doutos do que os outros, pode-se daí concluir em que sombras e mesmo em quantas e em quais loucuras cairiam as coisas que aqui fossem ditas a respeito do bem e do livre, de que se trata no sentido interno, quando, entretanto, o que acontece é que de fato não há mesmo um único vocábulo escrito na Palavra que não envolva um arcano celeste, ainda que pareça diante do homem como de nenhuma importância, e isso por causa da falta de cognições, ou por causa da ignorância em que se está hoje a respeito das coisas celestes e na qual também se quer estar.

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