Texto
. ‘E eu te enviaria com alegria, e com cânticos’; que signifique o estado em que, então, a partir do proprium, ele acreditava que estaria quanto aos veros, é o que se vê pela significação de ‘eu te enviaria’, que é que ele teria se separado a partir do livre. Mas que ele não teria se separado quando ele se achasse nesse estado, é o que se vê pelas coisas que foram ditas (n. 4113). Por esse fato é evidente que essas palavras foram ditas por Labão no estado em que, então, a partir do proprium, ele creu que estaria, pois, crer a partir do proprium é crer a partir do não vero, enquanto crer não a partir do proprium mas sim pelo Senhor é crer pelo vero. Que seja o estado quanto aos veros, isso é significado por ‘enviar com alegria e com cânticos’; com efeito, a alegria e os cânticos se dizem dos veros.
[2] Na Palavra, a alegria e o regozijo são aqui e ali mencionados, e as vezes uma e o outro ao mesmo tempo, mas a alegria é mencionada quando se trata do vero e da afeição do vero, e o regozijoquando se trata do bem e da afeição do bem; por exemplo, em Isaías:
“Eis o regozijo e a alegria, matar o boi e comer o gado miúdo, comer carne e beber vinho” (22:13);
onde o ‘regozijo’ se diz do bem, e a ‘alegria’ se diz do vero. No mesmo:
“Clamor sobre o vinho nas praças, desolada será toda a alegria, e exilado todo regozijo” (Is. 24:11).
No mesmo:
“Os remidos de JEHOVAH retornarão, e virão a Sião com canto, e o regozijo da eternidade [estará] sobre a cabeça deles; o regozijo e a alegria segui-los-ão, e fugirão a tristeza e o gemido” (Is. 35:10; 51:11).
No mesmo:
“JEHOVAH consolará Sião, ... o regozijo e a alegria se encontrarão nela, a confissão e a voz do canto” (Is. 51:3);
Em Jeremias:
“Farei cessar das cidades de Judá, e das ruas de Jerusalém, a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, porque em vastação estará a terra” (7:34; 25:10).
No mesmo:
“Voz de regozijo e voz de alegria, e voz do noivo e a voz da noiva, a voz dos que dizem: Confessai JEHOVAH Zebaoth” (Jr. 33:11).
No mesmo:
“Recolheu-se a alegria e o regozijo do Carmelo e da terra de Moab” (Jr. 48:33).
Em Joel:
“E diante dos nossos olhos não foi cortada a comida, [e] da casa do nosso Deus a alegria e a exultação?” (1:16).
Em Zacarias:
“O jejum será para a casa de Judá com regozijo e em alegria e em festas boas” (8:19).
[3] Quem não sabe que, na Palavra, em cada coisa há o casamento celeste, isto é, o casamento do bem e do vero, acreditaria que um e outro termo, a saber, o regozijo e a alegria, seriam uma mesma coisa, e apenas teriam sido empregados para dar mais ênfase a coisa, assim, que um dos dois seria supérfluo, mas não é assim, pois não há um mínimo vocábulo dito sem um sentido espiritual; nas passagens citadas e também nas outras, o regozijo é predicado do bem, e a alegria, do vero (ver também o n. 3118). Que os ‘cânticos’ também sejam predicados dos veros, vê-se por um grande número de passagens na Palavra onde os cânticos são mencionados, como em Isaías (5:1; 24:9; 26:1; 30:29; 42:10); Ezequiel (26:13); Amós (5:23); e em outras passagens.
[4] É necessário saber que todas as coisas que estão no Reino do Senhor se referem ou ao bem ou ao vero, isto é, às coisas pertencentes ao amor e às que pertencem à fé da caridade. As coisas que se referem ao bem, ou que pertencem ao amor, chamam-se celestes, e as que se referem ao vero e que pertencem à fé da caridade são denominadas espirituais. Como em todas e cada uma das coisas na Palavra elas tratam do Reino do Senhor e, no sentido supremo, do Senhor, e o Reino do Senhor é o casamento do bem e do vero, ou o casamento celeste, e como é o Senhor mesmo em Quem há o Casamento Divino, e de Quem provém o casamento celeste, é por isso que em todas e em cada uma das coisas da Palavra há esse casamento, que se manifesta principalmente nos Profetas, onde ocorrem repetições de uma mesma coisa, sendo mudadas somente as palavras. Contudo, essas repetições não são, em parte alguma, inúteis, mas por uma expressão é significado o celeste, isto é, o que pertence ao amor ou ao bem, e pela outra, o espiritual, isto é, o que pertence à fé da caridade ou ao vero. Daí se vê como em cada coisa da Palavra se acha o casamento celeste, isto é, o Reino do Senhor, e, no sentido supremo o Casamento Divino mesmo, ou o Senhor.