ac 4145

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Porque desejando desejaste, para casa do teu pai’; que signifique o desejo da conjunção com o bem Divino influindo diretamente, é o que se vê pela significação aqui da ‘casa do pai’, isto é, de Isaque e de Abrahão, que é o bem influindo diretamente. Que a ‘casa’ seja o bem, foi visto (n. 2233, 2234, 3652, 3720); que o ‘pai’ também seja o bem, n. 3703; que ‘Isaque’ seja o bem do Racional, n. 3012, 3194, 3210; e, além disso, ‘Abrahão com Isaque’ representa o Bem Divino influindo diretamente, e ‘Labão’ o bem colateral, ou o que não influi diretamente, n. 3665, 3778. O bem colateral, ou o que influi não diretamente é esse bem que foi dito bem intermediário, porque esse bem traz muitas coisas dos mundanos que se mostram como boas mas não são boas; ao contrário, o bem influindo diretamente é o que procede imediatamente do Senhor, ou do Senhor mediatamente pelo céu, e é o bem Divino separado desse bem mundano tal qual acaba de ser descrito.
[2] Todo homem que está sendo regenerado está primeiro no bem intermediário, e isso para que esse bem sirva para introduzir os bens e os veros genuínos, mas esse bem, depois de ter servido a esse uso, é separado e o indivíduo é conduzido até um bem que influi mais diretamente; assim o homem que está sendo regenerado é aperfeiçoado por graus. Por exemplo: o homem que está sendo regenerado primeiro crê que o bem que ele pensa e que ele faz vem de si próprio, e também que mereça alguma coisa, pois ele ainda não sabe, e se sabe não compreende, que o bem possa influir de outro lugar, nem que ele possa deixar de ser retribuído, pois o faz por si próprio. A não ser que ele cresse nisso primeiro, ele jamais faria o bem; mas por esse modo ele é iniciado tanto na afeição de fazer o bem como nas cognições a respeito do bem, e também a respeito do mérito, e quando ele foi introduzido até chegar à afeição de fazer o bem, ele começa a pensar de outro modo e a crer de outro modo, a saber, que o bem influi desde o Senhor, e que pelo bem que ele faz a partir do proprium ele nada merece, e, enfim, quando ele está na afeição de querer e de fazer o bem, ele rejeita inteiramente o mérito, e até o tem em aversão, e é afetado pelo bem em razão do bem; quando ele se acha nesse estado, então o bem influi diretamente.
[3] Seja ainda para exemplo e amor conjugal: O bem que precede e inicia é a beleza, ou a conveniência dos costumes, ou a aplicação externa de um em relação ao outro, ou uma igual condição de uma e outra parte, ou a condição desejada. Esses bens são os primeiros bens intermediários do amor conjugal; depois vem a conjunção das mentes [animarum], em que um quer como o outro e percebem o prazer de fazer o que agrada ao outro; esse estado é o segundo, e então os bens anteriores, embora presentes, não são contudo considerados; enfim, sucede a união quanto ao bem celeste e ao vero espiritual, a saber, em que um crê como o outro, e que um é afetado pelo bem de que o outro é afetado; quando este estado existe, então um e outro está ao mesmo tempo no casamento celeste, que é o casamento do bem e do vero, assim, no amor conjugal, pois o amor conjugal não é outra coisa, e então o Senhor influi nas afeições de um e do outro como em uma só, este é o bem que influi diretamente, mas os bens anteriores que influíram indiretamente serviram de meios para introduzir para esse bem.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.