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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Põe aqui diante dos meus irmãos e dos teus irmãos, e que julguem336 entre nós ambos’; que signifique que há juízo proveniente do justo e equitativo, é o que se vê pela significação dos ‘irmãos’, que são os bens (n. 2360, 3803, 4121); daí se segue que ‘os meus irmãos e os teus dos irmãos’ são o justo e o equitativo; que ‘julguem entre nós ambos’ seja o juízo, é evidente. Que ‘os meus irmãos e os teus irmãos’ seja o justo e o equitativo, vem isso de que se trata aqui do natural; com efeito, no natural, é propriamente chamado justo e equitativo o que no espiritual é denominado bem e vero. No homem há dois planos sobre os quais se fundam as coisas celestes e as coisas espirituais, as quais procedem do Senhor, um é o plano interior, o outro é o exterior, os planos mesmos não são outra coisa senão a consciência. Sem esses planos, isto é, sem a consciência, jamais coisa alguma de celeste e espiritual, que procede do Senhor, pode ser fixada, mas passa como a água através da peneira; por isso é que os que estão em um tal plano, ou sem a consciência, não sabem o que é a consciência, e até nem creem que haja alguma coisa de espiritual e de celeste.
[2] O plano interior ou a consciência interior, é onde há o bem e vero no sentido genuíno, pois o bem e vero influindo do Senhor a põe em atividade. Mas o plano exterior é a consciência exterior, e é onde há o justo e equitativo no sentido próprio, pois o justo e equitativo moral e civil, que também influi, põe-na em atividade. Há ainda um plano mais exterior, que também se apresenta como uma consciência, mas que não é uma consciência; ele consiste em pôr em ato o justo e o equitativo por causa de si e do mundo, isto é, por causa da sua própria honra ou da sua própria reputação, e por causa das riquezas e das posses do mundo, e então por causa do temor das leis. São esses os três planos que governam o homem, isto é, por meio dos quais o Senhor governa o homem. Pelo plano interior, ou pela consciência do bem e do vero espirituais o Senhor governa aqueles que são regenerados; pelo plano exterior, ou pela consciência do justo e do equitativo, isto é, pela consciência do bem e do vero morais e civis, o Senhor governa os que ainda não foram regenerados, mas que podem ser regenerados, e são também regenerados, se não na vida do corpo, pelo menos na outra vida. Porém, pelo plano mais exterior, que se apresenta equivalente a uma consciência e, entretanto, não é uma consciência, o Senhor governa todos os restantes, até mesmo os maus; estes, sem esse governo, precipitar-se-iam em todos os crimes nefandos e em todas as loucuras, e eles se precipitam nisso também quando estão sem os vínculos desse plano; e os que não se deixam governar por esses vínculos, ou são loucos, ou são punidos segundo as leis.
[3] Esses três planos fazem um nos regenerados, pois um influi no outro, e o interior dispõe o exterior. O primeiro plano, ou a consciência do bem e do vero espirituais, está no racional do homem; mas o segundo plano, ou a consciência do bem e do vero morais e civis, isto é, do justo e do equitativo, está no natural do homem. A partir disso agora, vê-se claramente o que é o justo e o equitativo que são significados pelos irmãos, a saber, o justo pelos ‘meus irmãos’, e o equitativo pelos ‘teus irmãos’, pois se diz o justo e o equitativo porque se trata do homem natural, pois é a respeito dele que propriamente se predicam essas expressões.

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