Texto
. Para que eu soubesse que assim acontece, permitiu-se-me conversar com tais espíritos que tinham vivido desse modo, e até com um que eu também tinha conhecido na vida do corpo. Enquanto ele vivia, tudo que de bem ele fez ao próximo, ele o fez por causa de si, a saber, por causa de sua honra e ganho, aos demais ele tinha desprezado, e até mesmo odiado; de fato, de boca ele confessou Deus, todavia não reconheceu de coração. Quando me foi permitido falar com ele, exalava-se dele uma esfera, por assim dizer, corpórea: a sua fala não era como a dos espíritos, mas como a de um homem ainda vivo; pois a fala dos espíritos se distingue da humana por isto, que ela está repleta de ideias, ou porque há nela o espiritual, assim, alguma coisa viva que não se pode exprimir; mas esta não era assim. Uma tal esfera exalava dele e era percebida em cada palavra que ele pronunciava. Ele aparecia lá entre os espíritos vis; e disseram-me que aqueles que são tais tornam-se sucessivamente, quanto aos pensamentos e às afeições, tão grosseiros e estúpidos, que não há ninguém mais estúpido no mundo. O lugar deles fica debaixo das nádegas, onde está situado o seu inferno; é também daí que me aparecera anteriormente um espírito, não sob a aparência que os espíritos têm, mas sob a aparência de um homem de uma grosseira corpulência, na qual havia tão pouco da vida da inteligência que é propriamente humana, de modo que se diria que ele era a estupidez em efígie. Daí vi claramente quais eles se tornam, os que não estão em nenhum amor para com o próximo, nem para com o público, e menos ainda para com o Reino do Senhor, mas estão unicamente no amor de si, e só visam a si próprios em todas as coisas, até adoram a si próprios como deuses e, assim, também querem ser adorados pelos outros, pois têm isso em intento em todas as coisas que fazem.