ac 4223

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Mas com a correspondência acontece dessa forma: que os céus de que se falou realmente correspondem às formas mesmas orgânicas do corpo humano; é por isso que se disse que essas sociedades, ou esses anjos, pertencem à província do cérebro, ou à província do coração, ou à província do pulmão, ou à província do olho, e assim por diante; mas ainda assim eles correspondem principalmente às funções dessas vísceras ou desses órgãos. Acontece com isso como acontece com esses órgãos mesmos ou com essas vísceras, que as suas funções constituem um só todo com as suas formas orgânicas, porquanto não é possível conceber uma função senão por formas, isto é, por substâncias. Com efeito, as substâncias são os sujeitos pelos quais existem as funções. Por exemplo: não se pode conceber uma visão sem olhos, uma respiração sem pulmões; assim, o olho é a forma orgânica a partir da qual e por meio da qual existe a visão, e o pulmão é a forma orgânica a partir da qual e por meio da qual existe a respiração; assim também acontece em relação aos restantes órgãos e vísceras. São, pois, principalmente às funções que correspondem as sociedades celestes, e como são às funções, também são às formas orgânicas que elas correspondem, pois um é indivisível do outro, e é inseparável, a tal ponto que se disserdes tanto função como forma orgânica pela qual e a partir da qual há a função, é dizer a mesma coisa. Daí resulta que há correspondência com os órgãos, membros e vísceras porque há correspondência com as funções; é por isso que, quando a função produz, o órgão é também estimulado. O mesmo acontece em todas e cada uma das coisas que o homem faz, quando ele faz isto ou aquilo, e quando ele quer fazer de tal modo ou de tal outro e isso pensa, então os órgãos se movem convenientemente, assim, de acordo com a intenção da função ou do uso, uma vez que é o uso que manda nas formas.
[2] Daí também fica claro que antes de terem existido as formas orgânicas do corpo havia o uso, e que o uso as tenha produzido e adaptado a si, e não vice-versa. Quando, porém, as formas foram produzidas, ou quando os órgãos foram adaptados, os usos procedem delas, e então parece que as formas ou os órgãos são anteriores aos usos, quando, todavia, não acontece assim. Com efeito, o uso influi desde o Senhor, e isso por meio do céu, segundo a ordem e segundo a forma conforme qual o céu foi posto em ordem pelo Senhor, assim, segundo as correspondências; é assim que o homem existe, e é assim que ele subsiste. Assim sendo, fica mais uma vez claro de onde vem que o homem, quanto a todas e cada uma das coisas que o constituem corresponda aos céus.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.