Texto
. ‘Ora, da figueira aprendei a parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro, e folhas brotam, sabeis que [está] próximo o verão’ significa o primeiro instante da Nova Igreja. A ‘figueira’ é o bem que pertence ao natural, o ‘ramo’ é a afeição desse bem, e as ‘folhas’ são os veros; a ‘parábola’ pela qual eles aprenderiam é que essas coisas são significadas. Quem não conhece o sentido interno da Palavra nunca pode saber o que envolve a comparação do Advento do Senhor com uma figueira, o seu ramo e as suas folhas; mas como na Palavra todas as coisas comparativas são significativas também (n. 3579), por este modo se pode saber o que significa essa comparação. Na Palavra, em toda parte em que a figueira é mencionada, ela significa o bem que pertence ao natural (ver o n. 217). Que o seu ‘ramo’ seja a afeição desse bem, vem isso do fato de que a afeição brota do bem como o ramo de seu tronco; que as ‘folhas’ sejam os veros, foi visto no n. 385. Daí, agora se vê o que envolve essa parábola, a saber, que quando uma Nova Igreja é criada pelo Senhor, o que então, antes de todas as coisas, se manifesta é o bem do natural, isto é, o bem na forma externa com a sua afeição e os seus veros. Pelo bem do natural se entende não o bem em que o homem nasce ou que ele traz de seus pais, mas um bem que é espiritual quanto à origem. Ninguém nasce nesse bem, mas o Senhor o introduz no homem por meio das cognições do bem e do vero; é por isso que antes que o homem esteja nesse bem, a saber, no bem espiritual, ele não é homem da igreja, embora, pelo bem nascido com ele, pareça que ele o seja.
[2] ‘Assim também vós, quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas’ significa que quando se manifestam as coisas que são significadas, no sentido interno, pelas palavras que foram ditas logo acima (vers. 29, 30, 31) e por estas sobre a figueira, que então é a consumação da igreja, isto é, o Juízo Final e o Advento do Senhor; que, portanto, é então rejeitada a velha igreja, e é instaurada uma nova. Diz-se ‘às portas’, porque o bem que pertence ao natural e os seus veros são as primeiras coisas que são insinuadas no homem quando ele está sendo regenerado e se torna igreja. ‘Amém, vos digo: Não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam’ significa a nação judaica, que não será extirpada como as outras nações (a causa disso, ver n. 3479).
[3] ‘O céu e a terra passarão, porém, as minhas palavras não passarão’ significa que os internos e os externos da igreja precedente devem perecer, mas a Palavra do Senhor deve permanecer. Que o ‘céu’ seja o interno da igreja, e a ‘terra’, o seu externo, foi visto (n. 82, 1411, 1733, 1850, 2117, 2118, 3355). Que as ‘palavras’ são não só as que são pronunciadas agora sobre a Sua vinda [ou advento] e sobre a consumação do século, mas também todas as que estão na Palavra, isso é evidente. Essas palavras seguem imediatamente depois das que foram ditas sobre a nação judaica, porque a nação judaica foi conservada por causa da Palavra, como se pode ver pelo lugar citado (n. 3479). Agora pelo que acaba de ser dito, claramente se vê que a predição aqui se refere aos inícios da Nova Igreja.
* * * * * * *