Texto
. Que no sentido interno histórico por ‘disse: Jacó não se dirá mais o teu nome, mas Israel’ seja significado que eles não poderiam representar como Jacó, mas como de uma nova qualidade dada, isto pode ser visto pela significação de ‘Jacó’ na Palavra, que são seus pósteros (n. 4281); e pela significação do ‘nome’, que é a qualidade, de que se tratou logo acima (n. 4291). A nova qualidade mesma é Israel no sentido interno; com efeito, Israel é o homem celeste espiritual, por conseguinte, o interno (n. 4286). E porque Israel é o homem celeste espiritual, portanto, o interno, Israel também é a igreja espiritual interna, pois quer se diga homem espiritual, quer se diga igreja espiritual, é a mesma coisa. Com efeito, o homem espiritual é uma igreja no particular, e vários são a igreja no comum368; se o homem no particular não fosse uma igreja, não haveria igreja alguma no comum; é a congregação no comum que, na linguagem comum, é denominada igreja, mas nessa congregação cada um deve ser tal que seja uma igreja; todo comum envolve partes semelhantes a si.
[2] Quanto à coisa mesma, a saber, que eles não poderiam representar como Jacó, mas que representariam como a partir de uma nova qualidade dada, que é Israel, eis o que acontece: Eram especificamente os descendentes de Jacó que deviam representar a igreja e não especificamente os descendentes de Isaque, porque os descendentes de Isaque não provinham somente de Jacó, mas também de Esaú; eram menos ainda especificamente os descendentes de Abrahão, pois os descendentes de Abrahão provinham não somente de Jacó e de Esaú, mas ainda de Ismael, e também dos filhos que ele tinha tido deKeturah, sua segunda esposa, a saber, de Simran, de Jokshan, Medan, Midiã, Iishbak e Shuah, e de seus filhos (ver Gênesis, 25:1, 2, 3, 4). Ora, os descendentes de Jacó, tendo insistido para serem representativos, como se mostrou (n. 4290), não podiam representar como sendo Jacó, nem como Isaque, nem como Abrahão. Que não como sendo Jacó, era porque Jacó representava o externo da igreja, e não o interno; e que não podiam também representar como sendo ao mesmo tempo Isaque, nem como sendo ao mesmo tempo Abrahão, pela razão alegada agora acima.
[3] Por isso, para que eles pudessem representar a igreja, cumpria necessariamente que fosse dado um novo nome a Jacó, e por esse nome uma nova qualidade, que significasse o homem interno espiritual, ou o que é o mesmo, a igreja interna espiritual. Essa nova qualidade é Israel. Toda igreja do Senhor é interna e externa, como antes se demonstrou algumas vezes. É a igreja interna que é representada, e é a igreja externa que representa. A igreja interna é também ou espiritual ou celeste; a igreja interna espiritual era representada por Israel, mas a igreja interna celeste foi depois representada por Judá. É também por isso que se fez uma divisão, e que os israelitas por si próprios constituíam um reino, e os judeus por si próprios um outro reino; mas pela Divina Misericórdia do Senhor, se falará desses reinos nas coisas que seguem. Daí é evidente que Jacó, isto é, os descendentes de Jacó, não puderam representar a igreja como sendo Jacó, pois isto seria somente representar o externo da igreja; mas o puderam como também Israel, porque Israel é o interno.
[4] Que seja o interno que é representado, e o externo que representa, isso já foi demonstrado muitas vezes, e se pode ver também pelo próprio homem. A fala do homem representa o seu pensamento, e a ação do homem representa a sua vontade; a fala e a ação são os externos do homem, enquanto o pensamento e a vontade são os seus internos. Ainda mais, a face do homem por suas diversas fisionomias representa uma e outra coisa, isto é, tanto o seu pensamento como a sua vontade. Cada um sabe que a facerepresenta pela fisionomia, pois, nos homens sinceros, os seus estados interiores podem ser vistos através da fisionomia da face; em uma palavra, todas as coisas que pertencem ao corpo representam as coisas que pertencem à mente exterior[animi] e as que pertencem à mente interna[mentis].
[5] O mesmo acontece com os externos da igreja, porque os externos da igreja são equivalentes aos do corpo, e os internos equivalentes à alma. Sabe-se, por exemplo, que os altares e os sacrifícios que neles se faziam eram externos, e igualmente os pães da proposição, o castiçal com as lâmpadas, bem como o fogo perpétuo; qualquer um pode também saber que essas coisas externas representaram os internos; o mesmo sucede com os outros ritos. A partir dessas coisas agora alegadas, pode-se ver que esses externos não podiam representar coisas externas, mas representavam as internas, que assim Jacó não podia representar como sendo Jacó, porque Jacó é o externo da igreja, mas Jacó podia representar como Israel, porque Israel é o seu interno. São essas as coisas que se entendem pela nova qualidade dada, que os descendentes de Jacó representariam.