Texto
. ‘Daquele dia, porém, e da hora, ninguém sabe’ significa o estado da igreja então quanto aos bens e veros, que não se manifestará a ninguém na terra nem no céu. Com efeito, aqui pelo ‘dia’ e a ‘hora’ se entende não o dia e a hora ou o tempo, mas o estado quanto ao bem e vero. (Que os tempos na Palavra signifiquem estados, foi visto n. 2625, 2788, 2837, 3254, 3556; e do mesmo modo os dias, n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788, 3462, 3785; daí também a hora; ela, porém, significa o estado específico.) Que seja o estado quanto ao bem e ao vero, é porque se trata da igreja, pois o bem e o vero fazem a igreja.
[2] ‘Nem os anjos dos céus, senão o Meu Pai somente’; significa que o céu não conhece o estado da igreja quanto ao bem e ao vero em particular, mas que só o Senhor o conhece, e que, além disso, o céu não sabe quando esse estado da igreja deve chegar. Que seja o Senhor mesmo que é entendido por Pai, foi visto (n. 15, 1729, 2004, 2005, 3690); e que o Divino Bem no Senhor é o que é denominado ‘Pai’, e o Divino Vero que precede do Divino Bem, o que é denominado o ‘Filho’, n. 2803, 3703, 3704, 3736. Aqueles que creem, pois, que o Pai é um e o Filho é outro, e que os distinguem, não entendem as Escrituras.
[3] ‘Mas como [eram] nos dias antes do dilúvio’; significa o estado de vastação dos que são da igreja, o qual é comparado ao estado de vastação da primeira ou Antiquíssima Igreja, cuja consumação do século, ou juízo final, se descreve na Palavra por meio do dilúvio. (Que pelo dilúvio seja significada a inundação dos males e dos falsos e, por conseguinte, a consumação desse século, vejam-se os n. 310, 660, 662, 705, 739, 790, 805, 1120; que os dias sejam estados, foi visto acima.)
[4] ‘Comendo e bebendo, casando[-se] e dando[-se] em casamento’; significa o estado deles quanto à apropriação do mal e do falso e, por conseguinte, a conjunção com o mal e o falso. Que ‘comer’ seja a apropriação do bem, e ‘beber’, a apropriação do vero, foi visto (n. 3168, 3513 no fim, 3596); assim, no sentido oposto, é a apropriação do mal e do falso. Que casar-se [nubere] seja a conjunção com o mal, e dar-se em casamento [nuptui dare], a conjunção com o falso, pode-se ver pelo que se disse e se demonstrou a respeito do casamento [de conjugio] e sobre o amor conjugal (n. 686, 2173, 2618, 2728, 2729, 2737, 2738, 2739, 2803, 3132, 3155); a saber, que no sentido interno é a conjunção do bem e do vero; mas aqui, no sentido oposto, é a conjunção do mal e do falso. Tudo que o Senhor pronunciou, porque é Divino, não é, no sentido interno, tal qual é na letra; por exemplo, comer e beber, na Santa Ceia, não significa, no sentido espiritual, nem comer nem beber, mas apropriar-se o bem do Divino Amor do Senhor (n. 2165, 2177, 2187, 2343, 2359, 3464, 3478, 3735, 4211, 4217); e como o conjugal, quando ele se diz da igreja e do Reino do Senhor, é a conjunção do bem pertencente ao amor com o vero que pertence à fé; por isso, em razão dessa conjunção, o Reino do Senhor, na Palavra, é chamado casamento celeste.
[5] ‘Até o dia em que entrou Noé na arca’; significa o fim da igreja precedente e o começo de uma nova. Com efeito, por ‘Noé’ é significada a Antiga Igreja em geral, a qual sucedeu a Antiquíssima depois do dilúvio (n. 773 e em outros lugares); e pela ‘arca’ é significada a igreja mesma (n. 639). O ‘dia’, que é algumas vezes mencionado nestes versículos, significa o estado, como logo acima se mostrou.
[6] ‘E não conheceram até que veio o dilúvio, e levou a todos’; significa que os homens da igreja então não saberão que eles foram inundados de males e de falsos, porque por causa dos males e dos falsos em que eles estão, eles ignorarão o que é o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo, então, o que é o vero da fé; e que esse vero vem daí, e não pode existir senão entre os que vivem nesse amor e nessa caridade; eles ignorarão também que é o interno que salva e dana, e não o externo separado do interno.
[7] ‘Assim será a vinda do Filho do homem’; significa o Divino Vero, que não será recebido. Que a vinda do Filho do homem seja o Divino Vero que então será revelado, é o que se disse precedentemente nos versículos 27 e 30, e nos n. 2803, 2813, 3704, e também n. 3004, 3005, 3006, 3008, 3009.
[8] ‘Então dois estarão no campo, um será tomado, e um será deixado’; significa aqueles que, dentro da igreja, estão no bem, e aqueles que, dentro da igreja, estão no mal, visto que os que estão no bem serão salvos, e os que estão no mal serão danados. Que o ‘campo’ seja a igreja quanto ao bem, foi visto (n. 2971, 3196, 3310, 3317, 3766).
[9] ‘Duas [estarão] moendo no moinho, uma será tomada, e uma será deixada’ significa aqueles que, dentro da igreja, estão no vero, isto é, na afeição do vero oriunda do bem, em que eles serão salvos; e aqueles que, dentro da igreja, estão no vero, isto é, na afeição do vero proveniente do mal, em que eles serão danados. Que ‘moer’ e a ‘mó’, na Palavra, tenham essas significações, ver-se-á agora nas coisas que seguem. Por essas explicações, é, pois, evidente que por essas palavras se descreve qual deve ser o estado quanto ao bem e ao vero dentro da igreja quando esta é rejeitada e uma nova é adotada.