ac 4364

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Disse: Que são todos esses teus acampamentos que encontrei?’ Que signifique as coisas específicas que provêm daí, é o que se vê pela significação do ‘acampamento’ aqui, que são as coisas específicas, pois são as coisas que foram mencionadas no capítulo precedente (vers. 14, 15), a saber: “Cabras, duzentas, e cabros, vinte; ovelhas, duzentas, e carneiros, vinte; camelas de leite e os filhos delas, trinta; novilhas, quarenta, e novilhos, dez; jumentas, vinte, e filhotes, dez”, que eram o bem e vero com seus serviços, pelos quais se devia fazer a iniciação (ver n. 4263, 4264), por conseguinte, coisas específicas. As coisas específicas aqui não são absolutamente senão as coisas que confirmam que os veros são veros e que os bens são bens; elas se aproximam dos pensamentos e das afeições do homem, isto é, das coisas que ele conhece e ama, em razão das quais ele se torna favorável e afirma que isso é assim. Os presentes que antigamente, na igreja, eram dados aos reis e aos sacerdotes envolviam também essas coisas. Sabe-se que uma pessoa é conduzida à sua opinião, ou às coisas que ela diz que são boas e verdadeiras, tanto pelas razões como pelas afeições, as coisas mesmas que confirmam são as que se entendem pelas coisas específicas e são significadas aqui pelo acampamento; é por isso que foi dito que esses acampamentos “eram para achar graça aos olhos do meu senhor”; e depois, “e agora achei graça aos olhos do meu senhor, peço[-te] que tomes o meu presente de minha mão”.
[2] O mesmo acontece nas coisas espirituais ou nas coisas da fé quando elas são conjuntas com o bem da caridade. O homem crê que os bens e os veros influem imediatamente do céu, assim, sem intermediários no homem, mas ele muito se engana; o Senhor conduz cada um por meio de suas afeições e, assim, Ele o volta [flectit] por meio de uma Providência tácita, pois Ele o conduz pelo livre (n. 1937 1947). Que todo livre pertença à afeição ou ao amor, foi visto (n. 2870 2873); e que, por isso, toda conjunção do bem com o vero se faça no estado livre, mas não no estado constrangido, n. 2875, 2876, 2877, 2878, 2881, 3145, 3146, 3158, 4031. Quando, pois, o homem, no livre, é conduzido para o bem, então os veros são aceitos e implantados, e então ele começa a ser por eles afetado e, assim, pouco a pouco se é introduzido no livre celeste. Aquele que foi regenerado, isto é, que ama ao próximo, e mais ainda, aquele que ama ao Senhor, se reflete sobre a sua vida que levou antes, descobrirá então que foi conduzido por meio de muitas coisas de seu pensamento e por meio de muitas coisas de sua afeição.
[3] O que se entende particularmente aqui pelas coisas específicas que provinham daí, pode-se elucidar melhor por exemplos: Um vero que deve ser insinuado no bem é que o homem vive depois da morte; esse vero não é aceito a não ser que ele seja confirmado por coisas específicas tais como estas: que o homem pode pensar não só sobre as coisas que ele vê e sente, mas também sobre as que ele não vê e não sente, que ele pode até ser por elas afetado, que pela afeição ele pode ser conjungido a elas, que, por conseguinte, ao céu e ao Senhor mesmo, e que aquele que pode ser conjungido ao Divino não pode morrer pela eternidade; essas coisas e muitas outras semelhantes são coisas específicas que a princípio se apresentam antes que esse vero seja insinuado no bem, isto é, antes de ser plenamente crido; esse vero na realidade se submete no princípio, mas essas coisas específicas fazem com que ele seja aceito.
[4] Seja também para exemplo, que o homem é um espírito, e que o espírito é revestido de um corpo quando ele vive no mundo. É também esse um vero que deve ser insinuado no bem, por que se não foi insinuado, o homem não se ocupa do céu, porquanto então ele pensa a respeito de si próprio como a respeito dos animais; mas esse vero não pode ser insinuado senão por meio de coisas específicas tais como estas: que o corpo que ele traz consigo serve para os usos deste mundo, a saber, a fim de que ele possa pelos olhos materiais ver as coisas que estão no mundo, e agir pelos músculos materiais, cujas forças são adequadas aos objetos pesados ali; e que há, contudo, interiormente alguma coisa que pensa e quer, cujo instrumental, ou órgão material, é o corpo, e que o seu espírito é ele mesmo, ou é o próprio homem que age e sente por esses instrumentos orgânicos; e que ele pode confirmar isso consigo por muitas experiências, desde que esteja na fé que isso é assim. Todas essas coisas são coisas específicas que são enviadas adiante e que fazem com que esse vero seja insinuado no bem, e essas coisas específicas provêm daí. São estas coisas e outras semelhantes que são significadas aqui pelo acampamento.

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