Texto
. Antes deste capítulo, resta explicar as palavras do Senhor em Mateus, 24, desde o versículo 42 até o fim, que são as últimas nesse capítulo a respeito da Consumação do Século ou do Advento do Senhor, as quais são estas na letra:
“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora o vosso Senhor virá. Isso, porém, considerai, pois que se o pai de família soubesse a que vigília o ladrão vem, vigiaria certamente, e não deixaria ser minada a sua casa. Por isso também vós estai preparados, porque, à hora em que não penseis, o Filho do homem virá. Quem, pois, é o fiel servo e prudente, a quem o Senhor constitui sobre o seu serviço, para lhes dar comida em tempo? Bem-aventurado esse servo, que, vindo o seu Senhor, tiver achado fazendo assim. Amém vos digo, que sobre todos os seus bens o constituirá. Se, porém, tiver dito esse mal servo em seu coração: Tarda o meu Senhor em vir. E tiver começado a espancar os conservos, e ainda a comer e a beber com os ébrios; virá o Senhor deste servo em um dia em que não espera, e na hora em que não sabe. E dividi-lo-á, e porá a sua parte com os hipócritas; ali há pranto e ranger de dentes’’.
O que estas palavras envolvem, pode-se ver pela série das coisas, porquanto, em todo esse capítulo no evangelista, se tratou do último tempo da igreja, que, no sentido interno, é a Consumação do Século e o Advento do Senhor; que isso seja assim, é o que se pode ver claramente pela explicação de todas essas coisas que estão nesse capítulo, o que se vê nas premissas antes dos capítulos que precedem imediatamente, a saber, antes do capítulo 26 (n. 3353 ao 3356); do capítulo 27 (n. 3486 ao 3489); do capítulo 28 (n. 3650 ao 3655); do capítulo 29 (n. 3751 ao 3757); do capítulo 30 (n. 3897 ao 3901); do capítulo 31 (n. 4056 ao 4060); do capítulo 32 (n. 4229 ao 4231); do capítulo 33 (n. 4332 ao 4335). O que elas continham em série, ali também foi dito, a saber, que quando a Igreja Cristã instaurada depois da vinda do Senhor começasse a ser vastada, isto é, a se afastar do bem, que então:
(i.) Começariam a não saber mais o que é o bem e o vero, mas que haveria disputa a respeito deles;
(ii.) Que eles seriam desprezados;
(iii.) Que em seguida não seriam reconhecidos de coração;
(iv.) Depois, que seriam profanados;
(v.) E porque o vero da fé e o bem da caridade deviam ainda permanecer em alguns, que são chamados eleitos, descreve-se então o estado da fé;
(vi.) E, em seguida, trata-se do estado da caridade.
(vii.) Por fim, trata-se do começo da nova igreja; e
(viii.) Do estado quanto ao bem e ao vero dentro da, assim chamada, igreja, quando ela é rejeitada e uma nova é adotada.
A partir dessa série se pode ver o que essas palavras que foram escritas acima, e que são as últimas desse capítulo, envolvem, a saber, que é uma exortação para aqueles que estão na igreja, para que eles estejam no bem da fé, e se não, que perecerão.