Texto
. ‘Hamor falou com eles, dizendo’; que signifique o bem da ‘igreja entre os antigos’, é o que se vê pela representação de ‘Hamor’, 391que é o que procede dos antigos (n. 4430), a saber, o bem da igreja procedente deles, pois o bem da igreja é o ‘pai’, e o vero desse bem, que é aqui Siquém, é o ‘filho’; daí também pelo ‘pai’, na Palavra, é significado o bem, e pelo ‘filho’, o vero. Aqui se diz o bem da ‘igreja entre os antigos’, mas não o bem da ‘Igreja Antiga’, e isso porque pela igreja entre os antigos se entende a Igreja derivada da Igreja Antiquíssima, que existiu antes do dilúvio, e pela Igreja Antiga entende-se a igreja que existiu depois do dilúvio. A respeito dessas duas igrejas, tratou-se algumas vezes nas explicações que precedem, e mostrou-se que a Antiquíssima Igreja, que existiu antes do dilúvio, fora celeste, mas que a Antiga Igreja, que existiu depois do dilúvio, fora espiritual; também se tratou muitas vezes da diferença dessas duas igrejas.
[2] Os remanescentes da Antiquíssima Igreja, que foi celeste, estavam ainda na terra de Canaã, e ali principalmente entre os que eram chamados heteus e heveus. Que estes remanescentes não estavam em outro lugar, é porque a Antiquíssima Igreja, que foi chamada Homem, ou Adão (n. 478, 479), estava na terra de Canaã, por conseguinte, ali estava o jardim de Éden, pelo qual foi ali significada a inteligência e a sabedoria dos homens dessa igreja (n. 100, 1588), e pelas árvores ali, a sua percepção (n. 103, 2163, 2722, 2972); e porque a inteligência e a sabedoria eram significadas por esse Jardim (ou Paraíso), é a igreja mesma que também se entende por ele; e porque é a igreja, é também o céu, e porque é o céu, é também, no sentido supremo, o Senhor. Daí vem que a terra de Canaã também signifique, no sentido supremo, o Senhor, no sentido relativo, o céu, e também a igreja, e, no sentido singular, o homem da igreja (n. 1433, 1437, 1607, 3038, 3481, 3705); e vem ainda daí, que a terra simplesmente nomeada na Palavra tem as mesmas significações (n. 566, 662, 1066, 1067, 1413, 1607, 3355); e que o novo céu e a nova terra sejam a igreja quanto a seu interno e quanto a seu externo, n. 1733, 1850, 2117, 2118, 3355. Que a Antiquíssima Igreja tenha estado na terra de Canaã, foi visto (n. 567); e que é daí que sejam oriundos os lugares representativos [dessa terra], e que é por isso que a Abrão tenha sido dada a ordem de ir para lá, então que essa terra foi dada aos pósteros dele oriundos de Jacó, a fim de que os representativos dos lugares fossem retidos, e que a Palavra fosse escrita segundo esses representativos, n. 3686. E que por isso venha daí que todos os lugares dessa terra, então as montanhas e os rios, e todos os limites que a circunscrevem se tornaram representativos, n. 1585, 1866, 4240.
[3] A partir disso se manifesta claramente o que se entende aqui pela ‘igreja entre os antigos’, a saber, que são os remanescentes desde a Igreja Antiquíssima; e uma vez que esses remanescentes estavam entre os heteus e os heveus, é também por isso que Abrahão, Isaque e Jacó, compraram entre os heteus para si e para as suas esposas um lugar de sepulcro na terra deles (Gn. 23:1 ao fim; 49:29 ao 32; 50:13); e José entre os heveus (Js. 24:32). Hamor, pai de Siquém, representava os remanescentes dessa igreja, é por isso que por ele é significado o bem da igreja entre os antigos, por conseguinte, a origem do vero interior proveniente de uma estirpe Divina (n. 4399). Quanto à diferença que há entre a Igreja Antiquíssima (que existiu antes do dilúvio) e a Igreja Antiga (que existiu depois do dilúvio), ver os n. 597, 607, 608, 640, 641, 765, 784, 895, 920, 1114 ao 1128, 1238, 1327, 2896, 2897.