Texto
. ‘E tomaram Dinah da casa de Siquém, e saíram’; que signifique que eles suprimiram a afeição do vero, é o que se vê pela representação de ‘Dinah’, que é a afeição do vero (n. 4498); segundo o sentido interno mais próximo, é significado que eles suprimiram402 a afeição do vero àqueles que tinham estado entre os remanescentes da Antiquíssima Igreja, porque se diz “da casa de Siquém”, porquanto pela ‘casa de Siquém’ é significado o bem que pertence ao vero de outra igreja; mas por se tratar da extirpação do vero e do bem dentre os pósteros de Jacó, que são significados aqui pelos filhos dele, e porque todas as coisas se aplicam ao assunto de que se trata, é por isso que aqui pela ‘casa de Siquém’ é significado simplesmente o bem que pertence ao vero tal qual fora no homem da Antiquíssima Igreja, que assim esse bem foi extinto na nação procedente de Jacó, porquanto, no sentido interno da Palavra, as palavras e os nomes significam coisas de um modo predicativo ao seu sujeito. Ao mesmo tempo também é significada a infração do bem e do vero com Hamor e Siquém e sua família, porque eles acederam aos externos, como se mostrou (n. 4493).
[2] Que se passe assim com as coisas que foram explicadas até aqui sobre Simeão e Levi, pode-se ver pelas palavras proféticas de Jacó antes da morte, onde estão estas:
“Simeão e Levi [são] irmãos, instrumentos de violência [são] os sabres deles. No arcano deles não venha a minha alma; na congregação deles não se una a minha glória, porque na sua ira mataram um varão, e no seu agrado enervaram um boi. Maldita [seja] a ira deles, porque [é] veemente, e o furor deles, porque é pesado. Dividi-los-ei em Jacó e dispensá-los-ei em Israel” (Gn. 49:5, 6, 7);
por ‘Simeão’ e por ‘Levi’ é significado o vero da fé, que, entre os pósteros de Jacó, foi mudado em falso, e o bem da caridade, que em mal, como acima (n. 4499, 4500); eles se dizem irmãos porque o bem é o irmão do vero, ou a caridade o é da fé (n. 4498); os ‘instrumentos de violência’, os seus ‘sabres’ (ou espadas), significam os falsos e males que fazem violência aos veros e bens (n. 4499); ‘no arcano deles não venha minha alma, e na congregação deles não se una a minha glória’ significa a disjunção quanto à vida e à doutrina, porquanto na Palavra a alma se diz da vida (n. 1000, 1040, 1742, 3299), e a glória se diz da doutrina; ‘porque na sua ira mataram um varão, e no seu agrado enervaram um boi’ significa que em um propósito mau eles extinguiram o vero da igreja e o bem da igreja; o ‘varão’ é o vero da igreja (n. 3134), e o ‘boi’, o bem da igreja (n. 2180, 2566, 2781); ‘maldita [seja] a ira deles, porque [é] veemente, e o furor deles, porque [é] pesado’ significa a pena por ter aversão ao vero e bem; ‘maldizer’ é ter aversão, e por causa disso também é ser punido (n. 245, 349, 1423, 3530, 3584); a ‘ira’ é a ação de se afastar do vero, e o ‘furor’ a ação de se afastar do bem (n. 357, 3614); ‘dividi-los-ei em Jacó, e dispersá-los-ei em Israel’ significa que os bens e veros não estarão mais no externo nem no interno da igreja deles; ‘dividir e dispersar’ é separar e extirpar de junto deles (n. 4424). Jacó é o externo da igreja, e Israel, o interno (n. 4286).
[3] Nesse discurso profético, essas palavras foram ditas de Simeão e de Levi, porque por eles é significado em geral o vero e bem da igreja; ora, quando esse vero e esse bem se tornam nulos, e, mais ainda, quando em lugar deles sucedem os falsos e os males, a igreja então é extinta; que esses proféticos não envolvam outra coisa, pode-se ver por isto, que a Tribo de Simeão e a Tribo de Levi não foram malditas mais do que as restantes; com efeito, a Tribo de Levi foi tomada para exercer o sacerdócio e a Tribo de Simeão foi entre as restantes tribos de Israel como uma delas.