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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Os olhos ou antes a vista dos olhos corresponde principalmente a essas sociedades que, na outra vida, estão em lugares paradisíacos, os quais aparecem acima, na frente, um pouco sobre à direita, onde se oferecem à vista, de um modo vivo, jardins com árvores e flores de tantos gêneros e espécies, que os que existem na terra inteira são relativamente em pequeno número. Lá, em todos os objetos há alguma coisa da inteligência e da sabedoria, que brilha, de sorte que dir-se-ia que nos paraísos eles são, ao mesmo tempo, inteligências e sabedorias; são essas as coisas que afetam pelos interiores os que ali se acham, e alegra assim não só a vista, mas também ao mesmo tempo o entendimento.
[2] Esses objetos paradisíacos estão no primeiro céu, no limiar mesmo que conduz para os anteriores desse céu, e são representativos que descem do céu superior quando os anjos do céu superior falam intelectualmente entre si dos veros da fé. A conversação dos anjos lá se faz por ideias espirituais e celestes, que são para eles as formas das palavras, e continuamente por séries de representações de uma beleza tal e de uma amenidade tal, que não é possível exprimi-las de modo algum. São essas belezas e essas amenidades de sua conversação, que são representadas como coisas paradisíacas no céu inferior:
[3] Este céu foi distinguido em muitos céus, os quais correspondem, cada um em particular, a coisas que estão nas câmaras dos olhos. Há o céu onde estão os jardins paradisíacos, de que se acabou de falar; há o céu onde estão atmosferas de diversas cores, onde toda a aura lança como relâmpagos de ouro, de prata, de pérolas, de pedras preciosas, de flores nas mínimas formas, e inúmeras coisas. Há o céu irisado, onde há belíssimos arcos-íris, grandes e pequenos, variegados pelas cores mais resplandecentes. Cada um desses objetos existe pela luz que procede do Senhor, na qual há a inteligência e a sabedoria; daí vem que em cada objeto há alguma coisa da inteligência do vero e da sabedoria do bem, que se mostra assim de um modo representativo.
[4] Aqueles que não tiveram ideia alguma do céu, nem da luz ali, dificilmente podem ser levados a crer que existem tais objetos; por isso os que levam consigo para a outra vida essa incredulidade, se eles estiveram no vero e no bem da fé, são levados pelos anjos a essas maravilhas, e quando as veem, ficam surpresos. A respeito dos lugares paradisíacos, das atmosferas e dos arcos-íris, vejam-se as coisas que precedentemente foram relatadas pela experiência (n. 1619 ao 1626, 2296, 3220); que nos céus haja continuamente representações, n. 1807, 1808, 1971, 1980, 1981, 2299, 2763, 3213, 3216, 3217, 3218, 3222, 3350, 4375, 4385.

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