ac 4529

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Um certo indivíduo que, no mundo erudito, se tornara celebre e famoso por causa da sua perícia na ciência botânica, depois que faleceu, ouviu, na outra vida, que ali também se apresentam à vista flores e árvores. Em relação a isto espantou-se; e porque a botânica tinha sido o prazer da sua vida, ele teve o desejo de ver se tal acontecia; por isso, tendo sido levado a lugares paradisíacos, lá viu em uma extensão imensa os mais belos arvoredos e os mais aprazíveis canteiros; e como então ele entrasse pela afeição ao ardor de seu deleite, foi-lhe permitido percorrer o campo, e ver particularmente não só os vegetais, mas também colhê-los e aproximá-los de seus olhos e examinar se assim era a coisa.
[2] Dali ele conversou comigo, e também disse que nunca teria crido em tal, e que se no mundo se ouvisse falar de tais coisas, tal fato seria relegado ao mundo dos paradoxos. Ele relatou em seguida que lá se descobriam em imensa quantidade flores vegetais que jamais tinham sido vistas no mundo, e que dificilmente seriam compreensíveis por alguma percepção, e que todas essas flores brilham vivamente com um esplendor incompreensível, porque provinha da luz do céu. Ele não podia perceber ainda que o brilho fosse de origem espiritual, a saber, que em cada uma dessas flores havia alguma coisa da inteligência e da sabedoria, que pertencem ao vero e ao bem, de que elas tiravam esse brilho. Além disso, dizia-me ele que os homens da terra não acreditariam nisso de modo algum, pela razão que poucos há que creem na existência de um céu e de um inferno, e que os que creem sabem unicamente que no céu há alegria, e entre estes há poucos que saibam que existem coisas que os olhos nunca viram, que o ouvido nunca ouviu, e que a mente nunca pôde pensar; e isso, embora eles saibam pela Palavra que coisas admiráveis foram vistas pelos profetas, como as que João viu em grande número e de que se fala no Apocalipse, as quais, entretanto, eram apenas coisas representativas que existem continuamente no céu, e apareceram a João quando a sua vista interna foi aberta.
[3] Mas tais coisas são relativamente de pouca importância. Aqueles que estão na inteligência e sabedoria mesmas, das quais tais coisas provêm, se acham em tal estado de felicidade, que as maravilhas que acabam de ser relatadas, estão para eles no número das menos importantes. Alguns que tinham dito, quando se achavam nos lugares paradisíacos, que eles excediam todo grau de felicidade, tendo sido levados mais para a direita a um céu que cintilava com mais esplendor ainda e, finalmente, para esse céu onde se percebe também a bem-aventurança da inteligência e da sabedoria que está em tais objetos, e então quando eles estavam nelas, pondo-se também a conversar comigo, diziam-me que as coisas que eles tinham precedentemente visto eram relativamente nulas; e em último lugar eles foram levados a um céu onde, por causa da felicidade da afeição interior, eles mal podiam subsistir, porque essa felicidade penetrara até as partes medulares, e estas partes ficando quase fundidas em razão da satisfação [fausto], eles começavam a cair em um santo desfalecimento.

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