Texto
. Na outra vida se veem também cores que, pelo esplendor e o fulgor, excedem de tal modo o esplendor das cores no mundo que dificilmente se pode estabelecer alguma comparação; lá elas são produzidas pela variegação da luz e da sombra; e como lá é a inteligência e a sabedoria procedentes do Senhor que aparecem como luz diante dos olhos dos anjos e dos espíritos, e que ao mesmo tempo esclarecem interiormente o entendimento deles, as cores são, ali, em sua essência, variações, ou, para dizer melhor, modificações da inteligência e da sabedoria. Ali as cores, não só as com as quais se ataviam as flores, com as quais as atmosferas são iluminadas e com as quais são variados os arcos-íris, mas também as que se apresentam distintas em outras formas, foram por mim vistas tantas vezes, que mal poderia se dizer o número de vezes. O esplendor lhes vem do vero que pertence à inteligência, e o fulgor lhes vem do bem que pertence à sabedoria, e as cores mesmas vêm do claro e do obscuro deles, assim, da luz e da sombra como as colorações no mundo. Daí vem que as cores, de que se faz menção na Palavra, como as das pedras preciosas no peitoral de Aharão e sobre as suas vestimentas de santidade, as das cortinas da tenda onde estava a Arca, e as das pedras do fundamento da Nova Jerusalém, de que João fala no Apocalipse, e em outras passagens, representaram coisas pertencentes à inteligência e à sabedoria. Quanto ao que representa cada uma dessas cores, é o que se dirá, pela Divina Misericórdia do Senhor, nas explicações. Em geral, no céu, quanto mais as cores tiverem esplendor e participarem do branco brilhante, tanto mais elas procedem do vero que pertence à inteligência; e quanto mais tiverem o fulgor [ou o brilho do relâmpago] e participarem do púrpura, tanto mais elas procedem do bem que pertence à sabedoria; essas que tiram daí a sua origem pertencem também às províncias dos olhos.