Texto
. ‘Disse Deus a Jacó’; que signifique a percepção do Bem Natural — qualidade que é agora Jacó — oriunda do Divino, vê-se pela significação de ‘dizer’ nos históricos da Palavra, que é perceber (n. 1602, 1791, 1815, 1822, 1898, 1919, 2061, 2080, 2238, 2260, 2619, 2862, 3509, 3395), de onde resulta que ‘disse Deus’ é a percepção proveniente do Divino; vê-se também pela representação de ‘Jacó’, que aqui, no sentido supremo, é o Senhor quanto ao Bem Natural. Nas explicações precedentes mostrou-se o que Jacó representa na Palavra, e porque ele tem diversas representações, é necessário dizer em poucas palavras como a coisa acontece.
[2] Jacó, no sentido supremo, representa, em geral, o Divino Natural do Senhor; mas porque, enquanto o Senhor glorificava o Seu Natural, esse Natural foi no começo diferente do que foi na progressão e no fim, por isso é que Jacó representou diversos Naturais, a saber, no começo o Natural do Senhor quanto ao Vero, na progressão o Natural do Senhor quanto ao bem que pertence ao vero, e no fim, quanto ao bem. Com efeito, a glorificação do Senhor procedeu desde o vero até o bem que pertence ao vero e, por fim, até o bem, o que, nas explicações que antecedem, se mostrou muitas vezes; agora, porque está no fim, Jacó representa o Senhor quanto ao Bem Natural. (Vejam-se as coisas que anteriormente foram demonstradas a respeito dessas representações, a saber, que Jacó, no sentido supremo, representa o Divino Natural do Senhor; no começo, quanto ao vero (n. 3305, 3509, 3525, 3546, 3576, 3599), na progressão, o Divino Natural do Senhor quanto ao bem que pertence ao vero (n. 3659, 3669, 3677, 4234, 4273, 4337).) Que agora ele represente o Divino Natural do Senhor quanto ao bem, é porque está no fim, como se disse.
[3] Tal foi o processo quando o Senhor fez Divino o Seu Natural; semelhante é também o processo quando o Senhor regenera o homem; pois aprouve ao Senhor fazer Divino o Seu Humano na mesma ordem em que Ele faz novo o homem; vem daí que a regeneração do homem, o que se tem dito algumas vezes, é a imagem da glorificação do Senhor (n. 3138, 3212, 3296, 3490, 4402). Quando o Senhor faz novo um homem, Ele primeiro o instrui nos veros da fé, pois, sem os veros da fé, o homem não sabe quem é o Senhor, o que é o céu, e o que é o inferno, nem sequer que eles existem, e menos ainda inúmeras coisas que pertencem ao Senhor, as que pertencem ao Seu Reino no céu, as que pertencem ao Seu Reino na terra, isto é, na igreja, nem então o que e quais são as coisas que são opostas pertencentes ao inferno.
[4] Antes de conhecer estas coisas ele não pode saber o que é o bem; por bem não se entende o bem civil nem o bem moral, pois esses bens são ensinados no mundo pelas leis e estatutos e pelas reflexões sobre os costumes dos homens; daí vem que as nações que estão fora da igreja conhecem também esses bens; mas pelo bem se entende o bem espiritual, bem que na Palavra se chama caridade, e esse bem é, em geral, querer e fazer o bem a outrem de modo algum em vista de si próprio408, mas pelo prazer da afeição; esse bem é o bem espiritual; a este bem jamais um homem pode vir senão por meio dos veros da fé, que são ensinados pelo Senhor por meio da Palavra e das prédicas da Palavra.
[5] Depois que o homem foi instruído nos veros da fé, em seguida o Senhor o conduz gradualmente a querer o vero, e também a fazê-lo a partir do querer, esse vero é chamado o bem que pertence ao vero, pois o bem que pertence ao vero é o vero pela vontade e pelo ato, e ele se diz bem que pertence ao vero porque o vero que pertencia à doutrina torna-se então coisa da vida. Por fim, quando o homem apercebe o prazer em querer o bem e, daí, em fazê-lo, o vero não se chama mais bem que pertence ao vero, mas sim bem, pois então o homem foi regenerado, e não é mais a partir do vero que ele quer e faz o bem, mas sim a partir do bem que ele quer e faz o vero; e o vero que então ele faz é também, por assim dizer, um bem, visto que ele tira a sua essência de sua origem, que é o bem. Por essas explicações, vê-se claramente por que e de onde vem que Jacó, no sentido supremo, representa o Natural do Senhor quanto ao bem. Que Jacó represente aqui esse bem, é porque agora, no sentido interno, se trata de uma progressão ulterior, a saber, para os interiores do natural, que são Israel (n. 4536). Ninguém que é regenerado pelo Senhor pode ser conduzido para os interiores antes que o vero nele tenha se tornado o bem.