Texto
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Continuação a respeito da correspondência com o Máximo Homem, ou com o céu;aqui, da correspondência dos ouvidos e orelhas com ele.
*4652. Qual correspondência há entre a alma e o corpo, ou entre as coisas pertencentes ao espírito, que está dentro no homem e as coisas pertencentes ao corpo que estão fora nele, pode-se ver claramente pela correspondência, pelo influxo e a comunicação do pensamento e da apercepção, que pertencem ao espírito, com a linguagem e a audição, que pertencem ao corpo. O pensamento enunciativo do homem não é outra coisa senão a linguagem de seu espírito, e a apercepção da linguagem não é outra coisa senão a audição de seu espírito. O pensamento, quando o homem fala, na realidade não se mostra a ele como uma linguagem, porque se conjunge com a linguagem do corpo, e está nele; e a apercepção quando o homem ouve, não se mostra de outra forma senão como uma audição na orelha. Daí vem que a maior parte dos que não refletem não sabem outra coisa senão que todo sentido está nos órgãos que pertencem ao corpo, e daí que, quando esses órgãos se putrefazem pela morte, nada resta no sentido, quando, todavia, então o homem, isto é, seu espírito, vem em sua vida mesmíssima sensitiva.
[2] Que seja o espírito que fala e que ouve, foi o que pude constatar pelas minhas conversas com os espíritos. A linguagem deles, comunicada a meu espírito, incidia em minha linguagem interior, e daí nos órgãos correspondentes, e aí terminava em um esforço, que eu percebi algumas vezes claramente. Por isso a sua linguagem era ouvida por mim de um modo tão sonoro quanto a linguagem do homem. Às vezes, quando os espíritos conversavam comigo no meio de uma reunião de homens, como a linguagem era ouvida de um modo tão sonoro, alguns deles imaginavam que os outros homens presentes também tinham ouvido; mas eu lhes respondia que não acontecia assim, porque a linguagem deles influía em minha orelha por uma via interna, e que a linguagem humana entra pela via externa. Daí é evidente o modo como o Espírito falou com os Profetas, não como um homem com um homem, mas como um espírito com um homem, a saber, no homem (Zc. 1:9, 13; 2:2, 7; 4:1, 4, 5; 5:5, 10; 6:4 e em outros lugares). Mas sei que essas coisas não podem ser compreendidas pelos que não creem que o homem é um espírito e que o corpo lhe serve para os usos do mundo. Aqueles que se confirmaram nesta opinião nem sequer desejam falar nesta opinião nem sequer desejam ouvir falar de correspondência alguma, e se ouvem, eles rejeitam, e até mesmo se entristecem que alguma coisa seja arrebatada ao corpo.