Texto
. ‘E o lancemos numa das covas’; que signifique entre os falsos, é o que se vê pela significação das ‘covas’, que são os falsos; que as ‘covas’ sejam os falsos, é porque os homens que estiveram nos princípios do falso são mantidos, depois de sua morte, debaixo da terra inferior durante algum tempo, até que os falsos tenham sido apartados deles e, por assim dizer, rejeitados para os lados; ali, os lugares são denominados covas. Os que chegam ali são aqueles que estarão em vastação (n. 1106–1113, 2699, 2701, 2704); daí vem que pelas covas, no sentido abstrato, sejam significados os falsos. A terra inferior está muito próxima, debaixo dos pés, e também à região ao redor, a uma exígua distância. Ali está a maioria depois da morte, antes de serem elevados ao céu; dessa terra também se faz menção aqui e ali na Palavra, é debaixo dela que estão os lugares de vastação, que se chamam covas; embaixo desses lugares e no entorno, a uma grande extensão, estão os infernos.
[2] Daí se vê bem o que é o ‘inferno’, o que é a ‘terra inferior’ e o que é a ‘cova’, onde são lembrados na Palavra; como em Isaías:
“Para o inferno foste precipitado, para os lados da cova foste lançado do teu sepulcro, como um rebento abominável; uma vestimenta de mortos trespassados pela espada que descem às pedras da cova” (14:15, 19);
trata-se ali do rei de Babel, por quem é representada a profanação do vero, visto que o ‘rei’ é o vero (n. 1672, 2015, 2069, 3009, 4581), e ‘Babel’, a profanação (n. 1182, 1326), o inferno é onde estão os danados; a danação deles é comparada a um ‘rebento abominável’ e a uma ‘vestimenta de mortos’ e aos ‘trespassados pela espada que descem às pedras da cova’; a ‘vestimenta dos mortos’ é o vero profanado, os ‘trespassados pela espada’ são aqueles com quem o vero foi extinto, a ‘cova’ é o falso que deve ser devastado, as ‘pedras’ são os limites, por isso também elas são denominadas os ‘lados’, pois ao redor das covas estão os infernos. (Que as ‘vestimentas’ sejam o vero, n. 2576; a ‘vestimenta de mortos’ são os veros profanado, pois o ‘sangue com que se fica tinto’ é o profano, n. 1003; os ‘trespassados pela espada’ são aqueles com quem o vero foi extinto, n. 4503). A partir dessas coisas também se vê que, sem o sentido interno, não é possível de modo algum saber o que essas coisas são.
[3] Em Ezequiel.
“Quando te fizer descer com os que descem à cova, ao povo do século, e te fizer habitar na terra dos inferiores, nas desolações desde o século, com os que descem à cova, para que não habites; então porei o esplendor na terra dos viventes” (26:20);
‘os que descem à cova’ estão pelos que são enviados para vastação; ‘não habitar com aqueles que descem à cova’ está no lugar de ser livrado dos falsos.
[4] No mesmo:
“Para que não se eleve, por causa da sua altura, todas as árvores das águas, e não lancem o seu ramo para o meio dos emaranhados; nem se sustenham sobre eles, por causa da sua altura, todos os que bebem as águas; todos são entregues a morte, até a terra inferior no meio dos filhos do homem, para que desçam à cova. [...] Pelo som da sua ruína, farei tremer as nações quando o fizer descer ao inferno com os que descem à cova; e consolar-se-ão na terra inferior todas as árvores do Éden, o seleto e o principal do Líbano, todos que bebem as águas” (31:14, 16);
aí se trata do Egito, pelo que é significado o conhecimento que entra por si próprio nos mistérios da fé, isto é, aqueles que procedem assim (n. 1164, 1165, 1186). Do que acima se disse, torna-se claro o que é significado pelo ‘inferno’, pela ‘cova’ e pela ‘terra inferior’, lembrados aí neste Profeta, e não é de outro lugar, senão do sentido interno, que se vê o que é significado pelas ‘árvores das águas’, pelas ‘árvores de Éden’, pelo ‘ramo lançado para o meio dos ramos espessos’, pela ‘seleção e o principal do Líbano’, e pelos ‘que bebem as águas’.
[5] No mesmo:
“Filho do homem, pranteia sobre a multidão do Egito, e faz descer e ela mesma e as filhas das nações magníficas para a terra inferior com os que descem à cova. Ali [está] Asshur, a quem foram dados os sepulcros nos lados da cova, todos os trespassados pela espada” (32:18, 23);
o que são essas coisas, pode-se ver pelas coisas que foram explicadas acima. Em Davi:
“JEHOVAH, fizeste subir do inferno a minha alma, vivificaste-me dentre os que descem à cova” (Sl. 30:4 [Em JFA, 30:3]).
No mesmo:
“Reputado fui com os que descem à cova, sou reputado como um varão sem força. [...] Puseste-me na cova dos inferiores, nas trevas, nas profundidades” (Sl. 88:5, 7 [Em JFA, 88:4, 6]).
em Jonas:
“Até as ruínas dos montes eu tinha descido; os ferrolhos da terra [estariam] sobre mim pela eternidade, todavia fizeste subir da cova a [minha] vida” (2:7);
trata-se aí das tentações do Senhor e de Sua libertação das tentações; as ‘ruínas dos montes’ são [os lugares] onde estão os mais danados; com efeito, as nuvens sombrias que aparecem em volta deles são as montanhas.
[6] Que a ‘cova’ seja a vastação do falso e, no sentido abstrato, o falso, vê-se adiante em Isaías:
“Serão reunidos em reunião de amarrado para a cova, e serão fechados na clausura, depois, porém, de uma multidão de dias, serão visitados” (24:22).
No mesmo:
“Onde [está] a ira do angustiador, aquele que conduz se apressará para abrir, e não morrerá à cova, nem [lhe] faltará pão” (Is. 51:14).
Em Ezequiel:
“Eis, eu que trago sobre ti estrangeiro, os violentos das nações, que desembainharam as suas espadas sobre a beleza da tua sabedoria, e profanarão o teu esplendor, na cova precipitar-te-ão, e morrerás das mortes dos trespassados no coração dos mares” (28:7, 8);
trata-se aí do príncipe de Tiro, por quem são significados os que estão nos princípios dos falsos.
[7] Em Zacarias:
“Exulta muito, ó filha de Sião, clangora, ó filha de Jerusalém, eis, o teu Rei vem a ti justo, miserável e montando sobre um asno, e sobre um potro filho das jumentas: pelo sangue da aliança, tirarei os teus amarrados da cova em que nenhuma água [há]” (9:9,11)
a ‘cova em que não há água’ está em lugar do falso em que nada há de vero, como também se diz na sequência: “Que tenham lançado José na cova, e a cova estava vazia, nenhuma água [havia] nela” (vers. 24). Em Davi:
“Clamo a ti, JEHOVAH, minha rocha: Não emudeças para mim, não emudeças para mim! E serei visto semelhante aos que descem à cova” (Sl. 28:1).
No mesmo:
“JEHOVAH [me] fez subir da covaDE VASTAÇÃO, de um charco de lodo, e constituiu sobre a rocha os meus pés” (Sl. 40:3).
No mesmo:
“Não me submerja a onda das águas, não me absorva na profundeza, nem feche sobre mim a cova a sua boca” (Sl. 69:16 [Em JFA, 69:15]).
[8] No mesmo:
“Mandou a sua palavra, e os sarou, e os retiroudas covas deles” (Sl. 107:20);
‘das covas’ está por ‘dos falsos’. No mesmo:
“Apressa[-Te], responde-me, ó JEHOVAH! meu espírito foi consumido, não escondas as Tuas faces de mim, para que me torne semelhante aos que descem à cova” (Sl. 143:7).
Como a ‘cova’ significa o falso, e os ‘cegos’, os que estão nos falsos (n. 2383), por isso o Senhor disse:
“Deixai-vos, [são] condutores cegos de cegos; pois se um cego conduz um cego, ambos cairão na cova” (Mt. 15:13, 14; Lc. 6:39).
O que é representado por José foi também representado pelo profeta Jeremias, coisa de que ele assim trata:
“Tomaram Jeremias, e lançaram-no na cova, que [estava] no pátio da prisão, e desceram Jeremias por cordas na cova onde nenhuma água [havia]” (Jr. 38:6);
isto é, que eles rejeitaram os Divinos Veros entre os falsos em que não havia nada de vero.