Texto
. ‘E agora, ide e matemo-lo’; que signifique a extinção do essencial da doutrina a respeito do Divino Humano do Senhor, isso se vê pela significação de ‘matar’, que é extinguir; e pela representação de ‘José’, a quem eles queriam matar, que é o Divino Vero do Senhor, e em específico o doutrinal a respeito do Divino Humano do Senhor (n. 4723); que este seja o essencial da doutrina, foi visto também ali. Que a igreja que reconhece a fé só tenha extinguido este Essencial Vero, é sabido, pois quem deles crê ser Divino o Humano do Senhor? Não têm eles aversão pela simples proposição? quando, entretanto, nas Antigas Igrejas, acreditava-se que o Senhor, Que devia vir ao mundo, seria o Divino Homem; e também Ele, quando era visto por eles, era chamado JEHOVAH, como se vê por várias passagens na Palavra, mas, em razão do tempo, se aduzirá somente esta em Isaías:
“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho a JEHOVAH, e aplanai na solidão uma vereda ao nosso Deus” (40:3);
que essas palavras foram ditas a respeito do Senhor, e que João Batista Lhe tenha preparado o caminho e aplanado a vereda, vê-se claramente nos Evangelistas (Mt. 3:3; Mc. 1:3; Lc. 3:4; João, 1:23); e, além disso, pelas palavras mesmas do Senhor, que Ele fosse um com o Pai, e o Pai estava n’Ele e Ele no Pai; que a Ele tenha sido dado todo poder nos céus e na terra; e também que se Lhe deu o juízo. Quem conhece apenas um pouco a respeito do poder no céu e na terra, e a respeito do juízo, pode saber que esse poder e esse juízo nada são, exceto se o Senhor for Divino também quanto ao Humano.
[2] Aqueles que estão na fé só, esses não podem saber o que faz novo o homem ou o santifica, e menos ainda o que fez Divino o Humano do Senhor; com efeito, eles nada conhecem do amor e da caridade, pois o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo fazem novo o homem e o santificam; mas o Amor Divino mesmo fez Divino o Senhor, porquanto o amor é o ser mesmo do homem e, portanto, é o viver dele, ele forma o homem segundo a sua imagem. É o que acontece com a alma do homem, que é a sua essência interior; esta, por assim dizer, cria ou constrói o corpo à sua imagem e, na realidade, a tal ponto que por meio dele ela age e sente absolutamente como [ela] quer e pensa, e de tal sorte que o corpo se torna como o efeito, e alma como a causa em que está o fim, e que, por conseguinte, a alma se torna o todo no corpo como a causa do fim é tudo no efeito. Para Aquele cuja alma foi JEHOVAH mesmo, como foi o Senhor, visto que Ele foi concebido de JEHOVAH, para Ele o Humano, quando foi glorificado, não pôde ser outro. A partir daí se vê quanto caminham longe os que fazem o Humano do Senhor, depois que foi glorificado, semelhante ao humano de um homem, quando ele é todavia Divino, e que é do Divino Humano mesmo do Senhor que procede no céu toda sabedoria, toda inteligência e também toda luz. Tudo que procede d’Ele é santo; o santo que não procede do Divino não é o santo.