ac 4738

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Para que o arrebatasse da mão deles, para reconduzi-lo ao seu pai’; que signifique para que restituísse à igreja, vê-se pela significação de ‘arrebatar da mão deles’, que é livrar, como acima (n. 4732); e pela significação de ‘reconduzir ao seu pai’, que é restituir à igreja, pois por Jacó, que aqui é o ‘pai’, é representada a religião judaica proveniente da Antiga Igreja, como acima (n. 4700, 4701). O que ele restituía à igreja é o Divino Vero a respeito do Divino Humano do Senhor, pois por José é significado especificamente esse Vero, como antes foi dito.
[2] Quanto ao que diz respeito ulteriormente a esse Vero, deve-se saber que a Antiga Igreja o tinha reconhecido, e também a Primitiva Igreja Cristã; mas depois que o trono papal cresceu até dominar sobre todas as almas humanas, e se elevou, como se diz a respeito do rei de Babel em Isaías:
“Tu disseste em teu coração: Aos céus subirei, sobre as estrelas do céu exaltarei o meu trono, e assentar-me-ei na montanha da convenção, subirei acima das altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (14:13,14),
então o Divino foi derrogado445 do Humano do Senhor, ou então fez-se distinção entre o Divino e o Humano d’Ele.
[3] O modo como isto foi decretado em um concílio também me foi revelado: Apareceram-me alguns espíritos na frente, para a esquerda, ao plano da planta dos pés, a uma certa distância de mim; estes falavam entre si, mas não ouvi a respeito de que assunto. Disseram-me que eles eram alguns dos que estiveram reunidos no Concílio quando se decretou a respeito da dupla natureza do Senhor, a Divina e a Humana; logo depois também me foi permitido conversar com eles. Disseram que aqueles que nesse concílio tinham mais influência e prevaleciam sobre os outros em dignidade e em autoridade, tinham se reunido e, então, retirando-se em uma câmara obscura, tinham concluído que se atribuiria ao Senhor tanto o Divino como o Humano, principalmente por essa causa, que de outro modo o trono papal não subsistiria, pois se reconhecessem o Senhor como sendo um com o Pai, assim como Ele mesmo disse, ninguém poderia reconhecer nenhum Vigário446 do Senhor na terra. Com efeito, naquele tempo havia cisma, por meio do qual o poder papal poderia cair e ser dissipado, a não ser que assim distinguissem. E [me disseram] que, para corroborar isto, coligiram cuidadosamente da Palavra o que confirma, e persuadiram os outros [membros].
[4] Eles acrescentaram que assim puderam dominar no céu e na terra, porque tiveram, da Palavra, que todo poder tinha sido dado ao Senhor nos céus e na terra, poder que não podia ter sido atribuído a Vigário algum se o Humano do Senhor tivesse sido reconhecido também Divino; sabiam, pois, que a ninguém se permitiria se fazer igual a Deus, e que o Divino teria esse poder por si próprio, mas não o Humano, a não ser que lhe tivesse sido dado, como também depois a Pedro. Diziam que havia então cismáticos de um gênio perspicaz, aos quais puderam assim acalmar, e que também assim o poder papal tinha sido confirmado. A partir daí se vê que somente por causa da dominação essa distinção foi inventada, e que é por isso que eles não quiseram saber que o poder dado ao Humano do Senhor nos céus e na terra manifestava que esse Humano também era Divino; e que por Pedro, a quem o Senhor deu a chave dos céus, não é Pedro que se entende, mas sim a fé que pertence à caridade, que porque procede somente do Senhor, é o poder do Senhor só (ver o prefácio do cap. 22 deGênesis).

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