ac 4742

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Da túnica de várias cores que estava sobre ele’; que signifique a qualidade das aparências quanto aos veros provenientes do bem, é o que se vê pela significação da ‘túnica de várias cores’, que são as aparências do vero pelas quais o espiritual do natural é conhecido e distinto (n. 4677); aqui, por conseguinte, a qualidade das aparências. É também por esse motivo que se diz duas vezes túnica, a saber: ‘despiram José da sua túnica, da túnica de várias cores’. Que se tenha a qualidade das aparências segundo os veros provenientes do bem, pode-se ver pelas aparências do vero quando elas se apresentam à vista na luz do céu, isto é, na outra vida, onde não há outra luz a não ser a que vem desde o Senhor pelo céu, e que existe pelo Divino Vero do Senhor, pois este vero diante dos olhos dos anjos aparece como luz (n. 2776, 3190, 3195, 3222, 3339, 3340, 3636, 3643, 3993, 4302, 4413, 4415). Essa luz é variada em cada um segundo a recepção. Todos os pensamentos dos anjos se faz por meio da variação dessa luz, como também o pensamento do homem, ainda que o homem nada saiba disto, porque com o homem essa luz cai em imagens ou ideias materiais que, em seu homem natural ou externo, provêm da luz do mundo; por isso, nele essa luz [do céu] é de tal modo obscurecida, que dificilmente sabe que a luz e a vista intelectual dele provêm daí. Mas na outra vida, quando a vista do olho não está na luz do mundo, mas sim na luz do céu, então se manifesta que o seu pensamento vem dessa luz.
[2] Quando essa luz passa do céu ao mundo dos espíritos, ela se apresenta ali sob o aspecto de várias cores, cores que, pela beleza, variedade e amenidade, excedem imensamente as cores que provêm da luz do mundo (vejam-se as coisas que foram ditas a respeito das cores, pela experiência, n. 1053, 1624, 3993, 4531, 4677). Como na outra vida as cores tiraram dali a sua existência, elas não são em sua origem senão as aparências do vero proveniente do bem. Com efeito, o vero não brilhapor si, porque nele só nada há de inflamado, mas brilha a partir do bem, pois o bem é equivalente a uma chama, da qual provém a luz; portanto, qual é o bem, tal, daí, aparece o vero; e qual é o vero, tal é o modo como ele brilha procedendo do bem. Daí se vê o que é significado, no sentido interno, pela ‘túnica de várias cores’, a saber, a qualidade das aparências quanto aos veros provenientes do bem, porquanto por José, de quem é a túnica, é representado o Divino Vero, como antes se demonstrou.

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