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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E disse Judá aos seus irmãos’; que signifique os depravados que, na igreja, são contra o bem seja ele qual for, vê-se pela representação de ‘Judá’, que no bom sentido é o bem do amor celeste (n. 3654, 3881), mas no sentido oposto é contra o bem qualquer que ele seja, do que se tratará no que segue; e pela significação dos ‘seus irmãos’, que são os que, na igreja, estão na fé separada. Que por Judá, aqui, sejam representados aqueles que são contra o bem seja ele qual for, é porque, no sentido bom, por ‘Judá’, na Palavra são representados aqueles que estão no bem do amor celeste. O amor celeste é amor ao Senhor e, daí, o amor para com o próximo. Aqueles que estão nesse amor estão muitíssimo conjuntos com o Senhor e, por isso, estão no céu íntimo, e ali, no estado da inocência, em razão do que aparecem aos restantes como crianças, e absolutamente como amores em forma. Os outros não podem se aproximar deles, por esse motivo é que quando eles são enviados a outro, então são rodeados por um grande número de outros anjos, pelos quais a esfera de amor deles é temperada, pois de outro modo ela faria aqueles aos quais foram enviados caírem em delíquio, pois a esfera de amor deles atravessa até as partes medulares.
[2] Como esse amor ou esse bem do amor, que é chamado o celeste, é representado no sentido bom por Judá, por isso, no sentido oposto, por ele é representado tal coisa que é contra o bem celeste, assim, o que é contra o bem seja ele qual for. A maior parte das expressões na Palavra têm um duplo sentido, a saber, o sentido bom e o sentido que lhe é oposto. A partir do sentido bom se conhece qual é o seu sentido oposto, pois as coisas que estão no oposto provêm do que é diametralmente contra o que está no bom.
[3] Há em geral dois bens do amor, a saber, o bem do amor celeste e o bem do amor espiritual; contra o bem do amor celeste há, no oposto, o mal do amor de si, e contra o bem do amor espiritual há, no oposto, o mal do amor do mundo. Aqueles que estão no mal do amor de si são contra o bem seja ele qual for, mas os que estão no mal do amor do mundo não são assim. Na Palavra, por Judá são representados, no sentido oposto, aqueles que estão no amor do si; e por Israel, no sentido oposto, os que estão no amor do mundo; a causa é, porque por Judá é representado o Reino celeste do Senhor, e por Israel, o Seu Reino espiritual.
[4] Os infernos também foram distintos segundo esses dois amores; os que estão no amor de si, porque são contra o bem seja ele qual for, estão nos infernos dos mais profundos e, portanto, os mais graves; mas os que estão no amor do mundo, porque não estão do mesmo modo contra o bem seja ele qual for, estão nos infernos não tão profundos e, por conseguinte, menos graves.
[5] O mal do amor de si não é, como se mostra ao vulgo, a exaltação externa que se chama soberba, mas é o ódio contra o próximo e, daí, um flagrante desejo de vingança e o prazer da crueldade. São essas coisas interiores que pertencem ao amor de si; os seus exteriores são o desprezo aos outros em comparação a si e a aversão por aqueles que estão no bem espiritual; e isso, às vezes, com manifesta exaltação, ou soberba, e às vezes sem ela. Na realidade, aquele que tem tal ódio ao próximo, este ama interiormente a si somente e, se ama os outros, é somente aos que considera como sendo um consigo, assim ele os ama em si próprio e se ama neles, por amor somente de si como fim.
[6] Tais são os que são representados por Judá no sentido oposto; também a nação judaica estivera em um tal amor desde os primeiros tempos, pois considerava todos em todo globo da terra como servos muito vis, e como de nenhuma importância em relação a si, e até tivera ódio e, ainda mais, os judeus, quando o amor de si e o amor do mundo não os conjuntava mutuamente, eles perseguiram até mesmo seus companheiros e irmãos com ódio semelhante. Isto ainda permanece com essa nação, mas porque estão precariamente em terras estrangeiras, o ânimo deles fica escondido.

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