ac 4751

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Que ganho há em que matemos o nosso irmão e cubramos o seu sangue?’; que signifique que daí não haveria nenhum avanço e daí nenhuma elevação, se este [vero] fosse inteiramente extinto, vê-se pela significação de ‘que ganho’, que é daí nenhum avanço, e também que não haveria nenhuma elevação, do que se tratará da sequência. É o que se vê também pela significação de ‘matar’, que é extinguir, aqui o Divino Vero, especificamente a respeito do Divino Humano do Senhor, que se entende pelo ‘irmão’, a saber, José; e pela significação de ‘cobrir o sangue’, que é esconder por completo o santo vero. Que o ‘sangue’ seja o santo vero, foi visto (n. 4735). De que modo se têm essas coisas, vê-se pelo que segue.
[2] Que o ‘ganho’ aqui não só signifique o avanço, mas também a elevação, ou que ‘que ganho’ signifique que daí não haveria avanço algum nem nada de elevação, é porque isto foi dito a partir da cobiça e da avareza. Com efeito, a cobiça do ganho e a avareza têm em si mesmas que elas querem não apenas possuir o mundo inteiro, mas também predar por causa do ganho de qualquer um, e até matar, e pelo que é pouco também matariam se as leis não se opusessem; e além disso, tal homem, em sua posse de ouro e prata, considera-se o maior em poder, seja qual for a maneira que na aparência externa se mostre diferente. Daí se vê que na avareza há não somente o amor do mundo, mas também o amor de si; e de fato um amor de si muitíssimo sujo, pois com os que são sordidamente avarentos, a altivez de espírito [animi], ou soberba, não se apresenta assim exteriormente, porquanto muitas vezes tal soberba não se preocupa com as riquezas por causa da ostentação, nem é este gênero de amor de si que tem por costume estar conjunto com as voluptuosidades, pois [esses avarentos] pouco cuidam de seu corpo, de seu alimento e de seu vestuário; mas é um amor absolutamente terreno, não visando outra coisa como fim senão as somas de dinheiro, na posse das quais ele se crê não em ato, mas em poder acima de todos. Daí se pode ver que, na avareza há o amor de si ínfimo e o mais vil; por isso, na outra vida, os avarentos aparecem a si próprios entre os porcos (n. 939); e eles são, mais do que os restantes, contra o bem, seja ele qual for. Por isso estão em tão grande escuridão que não podem ver de modo algum o que é o bem nem o que é o vero. Que seja alguma coisa interna do homem, que vive após a morte, não compreendem de forma alguma, e em seu coração eles riem daqueles que dizem isso.
[3] Tal fora a nação judaica desde o começo; é por isso que nenhum interno jamais lhes pôde ser claramente descoberto, como é evidente pela Palavra do Antigo Testamento; e porque estão enraizados nesse péssimo gênero do amor de si, por isso também, a não ser que pela avareza eles fossem removidos para tão longe dos internos e, portanto, fossem mantidos em espessa escuridão, eles conspurcariam os veros e bens interiores, e assim mais do que todos os outros os profanariam, pois não podem profanar enquanto não reconhecem (n. 1008, 1010, 1059, 2051, 3398, 3402, 3489, 3898, 4289, 4601). É por isso que o Senhor lhes diz em João:
“Vós sois de um pai diabo, e os desejos do vosso pai quereis fazer; ele era homicida desde o começo” (8:44);
e de Judas Iscariotes, que representava a Igreja Judaica, no mesmo:
“Não escolhi, Eu, a vós doze? Mas um de vós é um diabo” (6:70);
que também por isso, que por ele o Senhor tenha sido vendido, foi representado a mesma coisa que aqui por Judá, que disse: “Ide e vendamos José”.

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