ac 4760

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E trouxeram José ao Egito’; que signifique a consulta pelos conhecimentos, é o que se vê pela significação do ‘Egito’, que são os conhecimentos (n. 1164, 1165, 1186, 1462); aos quais, quando o Divino Vero é levado para eles, é consultá-los, pois por José, como acima se mostrou, é representado o Divino Vero. Deve-se dizer em poucas palavras como ocorre a consulta a respeito do Divino Vero a partir dos conhecimentos. Consultar pelos conhecimentos a respeito do Divino Vero é ver a partir deles se a coisa é assim; mas isso se faz de modo diferente com aqueles que estão no afirmativo de que o vero é o vero; estes, quando consultam os conhecimentos, confirmam por meio deles o vero e, assim, corroboram a fé. É de outro modo com os que estão no negativo; estes, quando consultam os conhecimentos, se lançam mais nos falsos, pois o negativo reina neles, mas o afirmativo reina naqueles. E, além disso, isso se efetua de acordo com a faculdade intelectual de cada homem. Aqueles que não têm uma intuição superior, isto é, interior, se consultam os conhecimentos, não veem neles a confirmação do vero, é por isso que são levados, por meio dos conhecimentos, ao negativo; mas aqueles que têm uma intuição superior, isto é, interior, estes veem as confirmações, se não de outra maneira, ainda assim pelas correspondências.
[2] Seja, para exemplo, que o homem vive após a morte: aqueles que estão no negativo que isso seja verdadeiro, quando consultam os conhecimentos, se confirmam contra esse vero por inumeráveis coisas, por exemplo, que os brutos animais igualmente vivam, igualmente sintam, igualmente ajam, e em muitas coisas mais habilmente do que o homem; e que o pensamento que o homem tem mais do que os brutos, seja tal que ele adquire por isso, que ele cresça tarde; e que o homem seja um animal de tal gênero; e além disso, por mil outros argumentos. A partir dessas coisas, é evidente que aqueles que estão no negativo, se consultarem os conhecimentos, se lançam mais ainda nos falsos e, por fim, que nada creiam de tudo que se referente à vida eterna.
[3] Mas aqueles que estão no afirmativo que é verdadeiro que o homem vive depois da morte, quando consultam os conhecimentos, confirmam-se por meio deles e isso também por inumeráveis coisas. De fato, eles veem que cada coisa que há na natureza está abaixo do homem, e que os brutos animais agem pelo instinto e que o homem pela razão; que os animais não podem fazer diferente senão olhar para baixo, mas que o homem, para cima e, pelo pensamento compreender as coisas que pertencem ao mundo espiritual, e também ser afetado por elas; e ainda mais, ele pode, pelo amor, ser conjunto a Deus mesmo, e assim apropriar a si a vida proveniente do Divino; e para lá pode ser conduzido e elevado; que por isso ele cresce mais tarde; e além disso, nas restantes coisas que pertencem à natureza, veem confirmação; e enfim, em toda a natureza eles veem o representativo do Reino celeste.
[4] É comum, e isso se sabe, que os eruditos creem menos do que os simples esse vero, e que em geral eles veem menos do que os simples os Divinos Veros; a causa é porque eles consultam os conhecimentos dos quais eles possuem maior abundância do que os outros, a partir do negativo, e por isto destroem em si a intuição procedente do superior, ou interior, a qual, sendo destruída, não veem mais nada pela luz do céu, mas sim pela luz do mundo, pois os conhecimentos estão na luz do mundo, os quais, se não são iluminados pela luz do céu, induzem trevas, ainda que se lhes mostre de modo diferente. Daí vinha que os simples tinham crido no Senhor, mas não os escribas e os fariseus, que nessa nação eram os eruditos; como se vê por estas palavras em João:
“Muitos dentre a multidão [quando] ouviram454 [essas] palavras, disseram: Este é verdadeiramente o Profeta. Outros disseram: Este é o Cristo (Messias)455; [...] Responderam os fariseus a eles: ... E algum dos Príncipes creu n’Ele, ou dentre os fariseus?” (7:40, (41,) 47, 48);
e em Lucas:
“Disse Jesus: Confesso-Te456, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste tais coisas aos sábios e aos inteligentes; revelaste-as, porém, às crianças; ...” (10:21);
as ‘crianças’ estão no lugar dos simples. Depois em Mateus:
“Por isso é que por parábolas lhes falo, porque vendo não veem, e ouvindo não ouvem, nem entendem” (13:13).

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