Texto
. ‘E atou sobre a mão dele um [escarlate] duplamente tingido’; que signifique que o assinalava, a saber, o poder, e o ‘[escarlate]duplamente tingido’ é o bem, vê-se pela significação de ‘atar sobre a mão’, que é assinalar o poder, pois a ‘mão’ é o poder (n. 4920); e pela significação do ‘[escarlate] duplamente tingido’, que é o bem, e de fato o bem espiritual. Que o ‘[escarlate] duplamente tingido’ seja o bem espiritual, é porque ele é de uma cor escarlate, e a cor escarlate, na outra vida, quando aparece, significa o bem espiritual, isto é, o bem da caridade para com o próximo. Com efeito, todas as cores na outra vida, apresentadas à vista, significam alguma coisa do bem e do vero, pois existem pela luz do céu, que em si é a sabedoria e a inteligência proveniente do Divino do Senhor; as variegações ou as modificações dessa luz são variegações daí e, assim como foi dito, modificações da sabedoria e da inteligência, por conseguinte, do bem e do vero. Que a luz que há no céu provenha da sabedoria e inteligência Divinas do Senhor, Que ali aparece como Sol, foi visto (n. 1053, 1521 a 1533, 1619 a 1632, 2776, 3138, 3167, 3190, 3195, 3222, 3223, 3337, 3339, 3340, 3485, 3636, 3643, 3862, 3993, 4180, 4214, 4302, 4405, 4408, 4413, 4415, 4523 a 4533). Que as cores daí provenham, e que elas sejam as variegações e as modificações dessa luz, por conseguinte, da inteligência e da sabedoria, n. 1042, 1043, 1053, 1624, 3993, 4530, 4677, 4742.
[2] Que o ‘escarlate duplamente tingido’ seja o bem espiritual, é isso evidente pelas passagens da Palavra onde é mencionado, como em Jeremias:
“Se, pois, fores vastada, o que farás? Se te revestires de [escarlate] duplamente tingido, e [se] te adornardes com um ornato de ouro, em vão tu te tornarias bela, terão horror de ti os amantes” (4:30);
aí se trata de Judá; ‘revestir-se de [escarlate] duplamente tingido’ é do bem espiritual; ‘adornar-se com ornato de ouro’ é do bem celeste. No Segundo Livro de Samuel:
“Lamentou Davi sobre Saul e sobre Jonathan, e escreveu para ensinar aos filhos de Judá o arco. Ó filhas de Israel, chorai sobre Saul, [ele] que vos cobria com [escarlate] duplamente tingido com coisas deliciosas, e punha ornamento de ouro sobre as vossas vestimentas” (1:17, 18, 24);
aí ‘ensinar o arco’ é ensinar a doutrina do amor e da caridade, porquanto o ‘arco’ significa essa doutrina; ‘cobrir-se de [escarlate] duplamente tingido’ está no lugar de pelo bem espiritual, como anteriormente; e ‘pôr ornamento de ouro sobre as vestimentas’ está pelo bem celeste.
[3] Como foi essa a significação do [escarlate] duplamente tingido, ordenou-se que o escarlate duas vezes tingido fosse aplicado sobre as cortinas do habitáculo, sobre o véu, sobre a cobertura à entrada da tenda, sobre a cobertura ao portão do átrio, sobre a mesa das faces quando [eles] caminhavam, sobre as vestes de santidade de Aharão, como sobre o éfode, sobre o peitoral do juízo, sobre as orlas do manto do éfode; sobre as cortinas do habitáculo:
[4]
“Para o habitáculo farás dez cortinas, [de] linho fino entrelaçado, e jacinto, e púrpura, e de escarlate duplamente tingido” (Êx. 26:1).
Sobre a cobertura:
“Farás um véu [de] jacinto e púrpura, e escarlate duplamente tingido, e de linho fino entrelaçado” (Êx. 26:31).
Sobre a cobertura na entrada da tenda:
“Farás uma cobertura para a entrada da tenda, [de] jacinto e púrpura, e de escarlate duplamente tingido, e de linho fino entrelaçado” (Êx. 26:36).
Sobre a cobertura ao portão do átrio:
“Para o portão do átrio farás uma coberta ... de jacinto, e de púrpura, e de escarlate duplamente tingido, e de linho fino entrelaçado, obra de bordador” (Êx. 27:16).
Sobre a mesa das faces quando eles caminharam:
“Quando caminhar o acampamento, estenderão sobre a mesa das faces um pano de escarlate duplamente tingido, e a cobrirão com uma coberta de pelos de texugo” (Nm. 4:8).
Sobre o éfode:
“Farás o éfode de ouro, de jacinto e de púrpura, e de escarlate duplamente tingido, de linho fino entrelaçado, obra de artífice”.
Sobre o boldrié igualmente (Êxodo, 28:5, 6, 8).
Sobre o peitoral do juízo:
“Farás o peitoral do juízo, obra de artífice, como a obra do éfode de ouro, de jacinto, e de púrpura e de escarlate duplamente tingido, e de linho fino entrelaçado” (Êx. 28:15).
Sobre as fimbrias do manto do éfode:
“romãs de jacinto, e de púrpura, e de escarlate duplamente tingido” (Êx. 28:33).
[5] Como a Tenda da Convenção com a Arca representava o céu, é por isso que essas cores foram ordenadas; elas significavam, em sua ordem, coisas celestes e espirituais ali, a saber, o ‘jacinto’ e a ‘púrpura’, os celestes bens e veros; o ‘escarlate duas vezes tingido’ e o ‘linho fino tecido’, os espirituais bens e veros. Aquele que crê que a Palavra é santa, pode saber que cada uma de suas expressões significa alguma coisa; e quem crê que a Palavra é santa por isso, que pelo Senhor fora enviada por meio do céu, pode saber que as coisas celestes e espirituais que pertencem ao Seu Reino foram ali significadas. Era pela mesma razão, que nas limpezas da lepra, se empregava a madeira de cedro, o [escarlate] duas vezes tingido e o hissopo (Lv. 14:4, 6, 52); e que sobre o fogo que queimava a vaca ruiva, da qual se fazia a água de separação, enviava-se madeira de cedro, hissopo e púrpura duas vezes tingido” (Nm. 19:6).
[6] A profanação do bem e do vero é também descrita por semelhantes cores em João:
“Vi uma mulher sentada sobre a besta escarlate, cheia de nomes de blasfêmia; e tinha sete cabeças, e dez chifres: estava a mulher vestida de púrpura e de escarlate, e adornada de ouro, de pedras preciosas, e de pérolas, tendo um copo de ouro na sua mão, cheio das abominações e da imundície das escortações” (Ap. 17:3, 4);
e depois:
“Ai, ai da cidade grande, que estava vestida de linho fino, e de púrpura, e escarlate, adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas” (Ap. 18:16);
onde se trata de Babel, pela qual é significada a profanação do bem (n. 1182, 1283, 1295, 1304, 1306, 1307, 1308, 1321, 1322); aí é a profanação do bem e do vero, que é a babilônica; nos Profetas do Antigo Testamento, Babel é a profanação do bem, e a Caldéia, a profanação do vero.
[7] O ‘escarlate’, no sentido oposto, significa o mal que é oposto ao bem espiritual, como em Isaías:
“Se os vossos pecados tiverem sido como o escarlate, como a neve embranquecerão; ainda que tiverem sido vermelhos como o carmesim, como a lã serão” (1:18);
que o ‘escarlate’ signifique este mal, é porque o sangue, também pela vermelhidão, significa, no sentido genuíno, o bem espiritual ou a caridade para com o próximo; mas no sentido oposto, a violência feita à caridade.