ac 4926

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E disse: Por que rompeste sobre ti a ruptura?’; que signifique a sua separação, em aparência, de junto do bem, vê-se pela significação da ‘ruptura’, que é a infração e a perversão do vero pela separação de junto do bem, do que se tratará no que segue. Que ‘romper ruptura’ é aqui arrancar da mão o [escarlate] duplamente tingido, é evidente, assim, separar o bem, pois pelo [escarlate] duplamente tingido é significado o bem (n. 4922); que isso seja em aparência, segue-se de que apareceu assim à parteira, pois não era aquele a quem ela tinha atado o [escarlate] duplamente tingido, mas o irmão dele por quem é representado o vero. (A respeito dessas coisas, vejam-se as explicações que estão logo acima, n. 4925, a saber, que o bem seja realmente o primogênito, mas que o vero o é na aparência). Isso pode ser ainda ilustrado pelos usos e os membros no corpo humano. Parece que os membros e os órgãos são primeiros, e que os seus usos são depois, porque os membros e os órgãos se apresentam primeiro diante dos olhos, e também são conhecidos antes dos usos; mas ainda assim os usos estão antes dos membros e dos órgãos, porquanto estes são provenientes dos usos, mas de tal forma formados segundo os usos; ainda mais, o uso mesmo os forma e os adapta a si; se assim não acontecesse, nunca todas e cada uma das coisas que existem no homem se reuniriam com tanta unanimidade para fazer um. O mesmo acontece com o bem e o vero; parece que o vero seria o primeiro, mas é o bem; este forma os veros e os adapta a si; eis por que, considerados em si mesmos, os veros não são outra coisa senão bens formados, ou as formas do bem. Os veros também, relativamente ao bem, são como as vísceras e como as fibras no corpo relativamente aos usos; e também o bem, considerado em si mesmo, não é outra coisa senão o uso.
[2] Que a ‘ruptura’ signifique a infração no vero e a perversão desse vero pela separação de junto do bem, vê-se também por outras passagens na Palavra, como em Davi:
“Nossos celeiros [estão] cheios, tirando de comida em comida; os nossos rebanhos [produzem] a milhares, e dez milhares nas nossas praças; os nossos bois estão carregados, não há ruptura” (Sl. 144:13, 14);
aí se trata da Antiga Igreja tal qual ela foi em sua adolescência; a ‘comida’ de que os celeiros estão cheios está pela comida espiritual, isto é, o vero e bem; os ‘rebanhos e os bois’ estão pelos bens internos e externos; ‘não há ruptura’ está pelo vero não infringido ou quebrado pela separação de junto do bem.
[3] Em Amós:
“Erigirei a tenda caída de Davi, e concertarei as rupturas deles, e as coisas destruídas deles, restaurarei; edificarei como nos dias da eternidade” (9:11);
aí se trata da igreja que está no bem; a ‘tenda caída de Davi’ é o bem do amor e da caridade pelo Senhor (que a ‘tenda’ seja esse bem, foi visto n. 414, 1102, 2145, 2152, 3312, 4128, 4391, 4599, e que Davi seja o Senhor, n. 1888); ‘concertar as rupturas’ é emendar os falsos que entraram pela separação do vero de junto do bem; ‘edificar como nos dias de eternidade’ está por conforme o estado da igreja nos tempos antigos; esse estado e aquele tempo, na Palavra, são denominados ‘dias de eternidade’ e ‘dias do século’, e também de ‘geração e geração’.
[4] Em Isaías:
“Edificará de ti as devastações do século, os fundamentos de geração e geração, e se dirá de ti o que repara a ruptura, o que restaura as veredas para habitar” (58:12);
aí se trata da igreja onde caridade e vida é o essencial; ‘reparar a ruptura’ é também corrigir os falsos que tinham feito irrupção pela separação do bem de junto do vero, todo falso provém daí; ‘restaurar as veredas para habitar’ está pelos veros que pertencem ao bem, pois as ‘veredas’ ou ‘caminhos’ são os veros (n. 627, 2333), e ‘habitar’ predica-se do bem (n. 2268, 2451, 2712, 3613).
[5] No mesmo:
“Vistes que são muitas as rupturas da cidade de Davi, e reunistes as águas da piscina inferior” (Is. 22:9);
as ‘rupturas da cidade de Davi’ são os falsos da doutrina; as ‘águas da piscina inferior’ são as tradições, pelas quais eles fizeram infrações nos veros que estão na Palavra (Mt. 15:1 ao 6; Mc. 7:1 a 14). Em Ezequiel:
“Não subistes às rupturas, nem cercastes a sebe para a casa de Israel, para estardes no combate no dia de JEHOVAH” (13:5).
No mesmo:
“Procurei dentre eles um varão que cercasse a sebe, e que ficasse [de pé] na ruptura diante de Mim para a terra, para que não a perdesse, mas não encontrei” (22:30);
‘ficar [de pé] na ruptura’ está por defender e acautelar-se para que os falsos não façam irrupção. Em Davi:
“JEHOVAH disse: Destruir-se-á o povo, a não ser que Moisés, o eleito d’Ele,estivesse [de pé] na ruptura diante d’Ele” (Sl. 106:23);
‘estar na ruptura’ é também acautelar-se para que os falsos não façam irrupção; ‘Moisés’ é a Palavra (ver o pref. do cap. 18 do Gn. e o n. 4859).
[6] Em Amós:
“[...] Extrairão a vossa posteridade com anzóis de pesca, por rupturas saireis cada um da sua região, e [vos] lançareis [para] o palácio” (4:2, 3);
‘sair pelas rupturas’ está pelos falsos provenientes dos raciocínios; o ‘palácio’ é a Palavra, por conseguinte, o vero da doutrina que provém do bem. E porque as ‘rupturas’ significam o falso que existe pela separação do bem de junto do vero, a mesma coisa é também significada no sentido representativo por ‘firmar e reparar as rupturas da casa de JEHOVAH’ (2 Reis, 12:6, 8, 9, 13; 22:5). No Segundo Livro de Samuel:
“Afligiu-se Davi de que rompesseJEHOVAHa ruptura em Uzah; donde chamou esse lugar Perez Uzah” (6:8);
onde se trata de Uzah, que morreu porque tocou a arca; pela arca era representado o céu, no sentido supremo, o Senhor, por conseguinte, o Divino Bem; por Uzah, por sua vez, era representado o que presta serviço [ministrat], assim, o vero, pois o vero está a serviço do bem481; essa separação é significada pela ‘ruptura em Uzah’.

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