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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. O que essas palavras envolvem no sentido interno tornar-se-á evidente pelas explicações que seguem; mas deve-se antes saber que estas obras que são recenseadas são as obras mesmas da caridade em sua ordem; isto ninguém que não conhece o sentido interno da Palavra pode ver, a não ser que saiba o que se entende por ‘dar de comer a quem tem fome’, ‘dar de beber a quem tem sede’, ‘acolher o peregrino’ [ou migrante], ‘vestir o nu’, ‘visitar o doente’, ‘vir aos que estão no cárcere’. Quem, a respeito dessas ações, pensa somente a partir do sentido da letra conclui, dessas coisas, que por elas se entendam as boas obras na forma externa, e que não haja nenhum arcano ali além dessas coisas, quando, todavia, em cada uma dessas expressões há um arcano, e um arcano Divino, porque foram pronunciadas pelo Senhor. Mas o arcano não é hoje compreendido, porque hoje são nulos os doutrinais da caridade. Com efeito, depois que separaram a caridade de junto da fé, pereceram esses doutrinais, e em lugar deles foram recebidos e inventados os doutrinais da fé, doutrinais que não ensinam absolutamente o que é a caridade, nem o que é o próximo. Entre os antigos os doutrinais ensinavam todos os gêneros e todas as espécies de caridade, e também quem é o próximo para com o qual se deve exercer a caridade, e como um é o próximo em um diferente grau, relativamente a um outro, mais do que o outro; e, consequentemente, de que modo a caridade deve ser aplicada e exercida para com um diferentemente do que em relação ao outro; e também eles distribuíram o próximo em classes e deram-lhe nomes, e chamaram a uns pobres, indigentes, míseros, aflitos, a alguns, cegos, coxos, mancos, como também órfãos e viúvas; a outros, famintos, sedentos, peregrinos, nus, enfermos, cativos, e assim por diante. Daí é que eles sabiam em que dever estariam em relação a um e em relação a outro. Mas esses doutrinais, como dito, pereceram, e com eles também o entendimento da Palavra, a tal ponto que hoje ninguém sabe outra coisa mais senão que pelos pobres, as viúvas, os órfãos, na Palavra, não se entendem senão os que são assim chamados; do mesmo modo aqui pelos que têm fome, os que têm sede, os peregrinos, os nus, os doentes, os que estão no cárcere, quando entretanto por meio deles se descreve a caridade tal qual ela é em sua essência, e o exercício da caridade tal qual ele deve ser na sua vida.

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