Texto
. A essência da caridade para com o próximo é a afeição do bem e do vero e o reconhecimento de si que se é o mal e o falso; ainda mais, o próximo é o bem e vero mesmo; ser afetado do bem e do vero é ter a caridade; o oposto ao próximo é o mal e o falso, estes têm aversão àquele que tem a caridade. Quem, portanto, tem caridade para com o próximo é afetado do bem e do vero, porque eles procedem do Senhor, e tem aversão pelo mal e pelo falso, porque eles provêm dele próprio [ex se]; e quando isto acontece, estar na humilhação provém do reconhecimento de si, e quando se está na humilhação se estáno estado de recepção do bem e do vero procedentes do Senhor. São esses os [arcanos] da caridade que, no sentido interno, essas palavras do Senhor envolvem:
“Tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, fui peregrino e acolhestes-Me, [estive] nu e cobristes-Me, estive doente e visitastes-Me, estive no cárcere e viestes a Mim”.
Que essas palavras envolvam esses arcanos, ninguém pode saber senão pelo sentido interno; os antigos, que possuíram os doutrinais da caridade, eles os conheciam; mas hoje essas coisas se mostram tão afastadas, que qualquer um há de se admirar de que se diga que elas estão nessas palavras; e, além disso, os anjos juntoao homem não percebem de outro modo essas palavras, pois por ‘aquele que tem fome’ eles percebem aqueles que, partir da afeição, desejam o bem; por ‘aquele que tem sede’ os que, a partir da afeição, desejam o vero; pelo ‘peregrino’ os que querem ser instruídos; pelo ‘nu’, os que reconhecem que neles não há nada do bem nem do vero; pelo ‘doente’, os que reconhecem nada existir neles senão o mal, e pelo ‘cativo’ (ou aquele que está no cárcere), os que reconhecem nada existir neles senão o falso. Essas expressões, se reduzidas a um só sentido, significam as coisas que logo acima foram ditas.