Texto
. ‘Foi feito descer ao Egito’; que signifique para os conhecimentos pertencentes à igreja, é o que se pode ver pela significação do ‘Egito’, que é o conhecimento [scientia], ou o conhecimento no geral [scientificum in communi]483(n. 1164, 1165, 1186, 1462); mas qual foi esse conhecimento que é propriamente significado pelo Egito, ainda não foi explicado. Na Antiga Igreja houve coisas doutrinais e houve coisas pertencentes aos conhecimentos; as coisas doutrinais tratavam do amor a Deus e da caridade para com o próximo, e as coisas pertencentes aos conhecimentos tratavam das correspondências do mundo natural com o mundo espiritual e dos representativos das coisas espirituais e celestes nas coisas naturais e terrestres; foram esses os conhecimentos daqueles que estavam na Igreja Antiga.
[2] O Egito esteve entre aquelas regiões e entre aqueles reinos onde existiu a Antiga Igreja (n. 1238, 2385); como, porém, ali eram transmitidos principalmente os conhecimentos, é por isso que pelo Egito é significado o conhecimento em geral [scientificum in genere]; e é também por isso que, na Palavra profética, se trata tantas vezes do Egito, e pelo Egito ali se entende especificamente tal conhecimento [scientificum]. A magia egípcia mesma também teve daí a sua origem, uma vez que os egípcios conheceram as correspondências do mundo natural com o mundo espiritual, os quais, em seguida, depois que a igreja entre eles cessou, abusaram dessas correspondências aplicando-as a operações mágicas. Como então houve entre eles tais conhecimentos, a saber, que ensinavam as correspondências, e também as coisas representativas e significativas, e como essas coisas serviam aos doutrinais da igreja, principalmente para entender as coisas que tinham sido ditas na Palavra deles (que na Palavra da Antiga Igreja tenha havido tanto o profético quanto o histórico, semelhante a esta Palavra, mas outra, foi visto, n. 2686), daí vem que por ‘foi feito descer ao Egito’ é significado para os conhecimentos pertencentes à igreja.
[3] Como o Senhor é representado por José, e se diz aqui que José tenha sido feito descer ao Egito, é significado que o Senhor, quando glorificava o Seu Homem Interno, isto é, quando o fazia Divino, primeiro tinha Se imbuído dos conhecimentos da igreja, e a partir deles e por meio deles Ele tinha feito progresso para os interiores mais e mais e, por fim, até os Divinos. Com efeito, aprouve-Lhe, segundo tal ordem, glorificar a Si mesmo, ou Se fazer Divino, ordem segundo a qual Ele regenera o homem, ou [o] faz espiritual (n. 3138, 3212, 3296, 3490, 4402), a saber, fazendo-o progredir desde os externos, que são os conhecimentos e os veros da fé, sucessivamente para os internos, que pertencem à caridade para com o próximo e ao amor a Ele. Daí se vê claramente o que é significado por estas palavras em Oseias:
“Quando Israel [era] menino, então o amei, e do Egito chamei o Meu filho” (11:1).
(Que estas palavras foram ditas a respeito do Senhor, ver Mt. 2:15.)