Texto
. ‘Chefe dos guardas’; que signifique que são as principais coisas para a interpretação, vê-se pela significação do ‘chefe dos guardas’ [principis satellitum], que são as principais coisas para a interpretação (n. 4790). As principais coisas para a interpretação são aquelas que conduzem principalmente a interpretar a Palavra e, assim, a entender os doutrinais do amor a Deus e da caridade para com o próximo, que provêm da Palavra. Deve-se saber que os conhecimentos dos antigos tinham sido inteiramente diferentes dos conhecimentos de hoje; os conhecimentos dos antigos, como foi dito acima, trataram das correspondências das coisas no mundo natural com as coisas no mundo espiritual. Os conhecimentos que hoje são chamados filosóficos, tais quais são os aristotélicos e outros semelhantes, foram ignoradospor eles; isto também é evidente pelos livros dos mais antigos, dos quais a maior parte foi escrita por meio de coisas tais que significavam coisas interiores, as representavam e correspondiam a elas, como se pode ver somente por estas, de modo que se passa em silêncio as restantes:
[2] Que tenham estabelecido o Hélicon em um monte, e por ele tenham entendido o céu; que estabeleceram o Parnaso embaixo, em uma colina, e por ele tenham entendido os conhecimentos [scientifica]; que tenham dito que um cavalo que voa, ao qual chamaram Pégaso, rompia ali uma fonte com o casco; que tenham chamado de virgens os conhecimentos [scientias], e assim por diante. Com efeito, pelas correspondências e pelos representativos eles souberam que o ‘monte’ era o céu, que a ‘colina’ era esse céu que está por baixo ou que está juntoao homem, que o ‘cavalo’ era o intelectual, que as ‘asas’ com as quais ele voava eram as coisas espirituais, que o ‘casco’ era o natural, que a ‘fonte’ era a inteligência, e que as ‘três virgens’ que eles chamavam graças [charites] eram as afeições do bem, e que as ‘virgens’ que eram denominadas heliconides ou parnassidas eram as afeições do vero. Semelhantemente, que tenham atribuído ao sol cavalos, dos quais a comida eles chamavam ambrósia e a bebida néctar, pois sabiam que o ‘sol’ significava o amor celeste, os ‘cavalos’ as coisas intelectuais que daí provêm, e que as ‘comidas’ significavam as coisas celestes e as bebidas as coisas espirituais.
[3] Dos antigos também permaneceu que os reis, quando coroados, devam assentar-se sobre um trono de prata, vestidos de uma clâmide púrpura, devam ser ungidos com óleo, portar uma coroa na cabeça, nas mãos um cetro, uma espada e as chaves, montarão com as insígnias da realeza sobre um cavalo branco, sob cujas patas estão ferraduras de prata; devam ser servidos à mesa pelos melhores do reino, além de várias outras coisas; pois sabiam que o ‘rei’ representava o Divino Vero que provém do Divino Bem e, daí, sabiam o que representavam o ‘trono de prata’, a ‘clâmide púrpura’, o ‘óleo da unção’, a ‘coroa’, o ‘cetro’, a ‘espada’, as ‘chaves’, o ‘cavalo branco’, as ‘ferraduras de prata’, o ‘serviço pelos melhores’. Quem hoje conhece essas coisas e onde estão os conhecimentos que as ensinam? Dá-se o nome de emblemas a tais coisas, não sabendo absolutamente coisa alguma a respeito da correspondência e da representação. A partir destas explicações, fica claro quais foram os conhecimentos dos antigos, e que esses conhecimentos os tinham conduzido a cognição das coisas espirituais e celestes, que também hoje dificilmente se sabe que existem.
[4] Os conhecimentos que sucederam no lugar deles, e são propriamente ditos filosóficos, antes abstraem a mente de tais conhecimentos, porque podem ser também aplicados para confirmar os falsos, e também imergem a mente nas trevas quando por meio dele os veros são confirmados, porque a maior parte deles são palavras nuas, por meio das quais se fazem confirmações, que são compreendidas por poucos e a respeito das quais também esses poucos disputam. Daí se pode ver o quanto o gênero humano se afastou da erudição dos antigos, que conduzia à sabedoria. Os gentios tiveram esses conhecimentos da Igreja Antiga, cujo culto externo consistia em coisas representativas e significativas, e o culto interno consistia em coisas que eram representadas e significadas. Estes eram os conhecimentos que, no sentido genuíno, eram significados pelo Egito.