Texto
. ‘Eis, o meu senhor não sabe o que [há] comigo em casa’; que signifique que o bem natural não cobiçava sequer a apropriação, vê-se pela significação de ‘seu senhor’, que é o bem natural (n. 4973); e pela significação de ‘não saber o que [há] comigo em casa’, que é não cobiçar a apropriação. Que seja esse o sentido, não se pode ver senão pela série das coisas no sentido interno. Com efeito, trata-se agora do terceiro estado, em que o celeste do espiritual esteve no natural; nesse estado é separado o bem e vero natural que é espiritual, de junto do bem e vero natural que não é espiritual; consequentemente, por ‘não saber o que há na casa’ é significado que não há cobiça de apropriação. Mas essas coisas, porque são arcanos, não podem ser ilustradas senão por exemplos; seja, portanto, essa ilustração: Conjungir-se com sua esposa somente por causa do desejo libidinoso, isto é o natural não espiritual; mas conjungir-se a sua esposa por causa do amor conjugal, isto é o natural espiritual; quando o marido em seguida é conjungido somente por causa do desejo libidinoso, então ele crê que prevarica como aquele que faz o que é lascivo; é por isso que ele não cobiça mais que isto lhe seja apropriado. Seja também isto para ilustração: Fazer bem a um amigo seja ele quem for, contanto que seja um amigo, é o natural não espiritual, mas fazer bem a um amigo por causa do bem nele, e mais, ter o bem mesmo como amigo ao qual se faz o bem, isto é o natural espiritual; e então, quando se está nesse natural, sabe-se que se prevarica caso se faça o bem a um amigo que é mau, porque então, por meio desse bem, ele faz o mal aos outros. Quando o homem se acha nesse estado, ele tem aversão à apropriação do bem natural não espiritual, no qual ele esteve antes. Acontece de forma semelhante com outros casos.