ac 5094

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘O copeiro e o padeiro’; que signifique a respeito dos sensuais de um e outro gênero, vê-se pela significação do ‘copeiro’, que é o sensual subordinado à parte intelectual (n. 5077); e pela significação do ‘padeiro’, que é o sensual subordinado à parte voluntária (n. 5078). Que esses sensuais tenham sido rejeitados pelo interior natural, acima (n. 5083, 5089) foi dito. No entanto, deve-se saber que as coisas sensuais mesmas não foram rejeitadas, a saber, as coisas que pertencem à visão, à audição, ao olfato, ao paladar, ao tato, pois é em razão delas que o corpo vive, mas foram as intuições ou os pensamentos provenientes delas, depois as afeições e as cobiças que daí provêm. Na memória externa ou natural do homem entram os objetos do mundo por meio desses sensuais [ou sentidos] de uma parte, e nela entram os objetos por meio dos racionais de outra parte. Esses objetos se separam nessa memória; os que entraram por meio dos racionais se colocam interiormente, mas os que entraram por meio dos sensuais se colocam exteriormente; daí o natural se torna duplo, a saber, interior e exterior, como acima também foi dito.
[2] O natural interior é o que é representado pelo faraó, rei do Egito, porém, o natural exterior, pelo copeiro e o padeiro. Qual é a diferença, pode-se ver pelas intuições das coisas ou pelos pensamentos e, daí, pelas conclusões. Aquele que pensa e conclui a partir do natural interior, este quanto mais tira os seus pensamentos e as suas conclusões do racional, tanto mais é racional; mas aquele que pensa e conclui pelo natural exterior, este quanto mais tira dos sensuais os seus pensamentos e as suas conclusões, tanto mais é sensual. Tal homem é também chamado homem sensual, mas o outro é chamado homem racional natural. O homem, quando morre, tem todo o natural consigo, e tal qual foi formado nele no mundo, tal também permanece. O quanto ele se imbuíra do racional, tanto também ele é racional; e o quanto ele se imbuíra do sensual, tanto também ele é sensual. A diferença é que, quanto mais o natural tirara do racional e o apropriara a si, tanto mais ele olha abaixo de si os sensuais que pertencem ao natural exterior, e tanto mais os domina, desprezando e rejeitando as falácias que dali provêm; mas quanto mais o natural tirara dos sensuais do corpo e os apropriara a si, tanto mais ele olha os racionais como abaixo de si, desprezando-os e rejeitando-os.
[3] Como exemplo: o homem racional natural pode compreender que o homem vive não por si próprio, mas pelo influxo da vida que, por meio do céu, procede do Senhor; mas o homem sensual não pode compreender isto, pois diz que sente e apercebe manifestamente que a vida está nele, e que falar contra o sentido é uma coisa vã. Seja também, por exemplo: O homem racional natural compreende que há um céu e um inferno, mas o homem sensual o nega, porque não compreende [capit] que haja um mundo mais puro do que o que ele vê com os olhos; o homem racional natural compreende [comprehendit] que há espíritos e anjos, os quais são invisíveis; mas o homem sensual não o compreende, considerando não ser nada o que ele não vê e não toca.
[4] Seja ainda este exemplo: O homem racional natural compreende que seja inteligente intuir os fins e prever e dispor os meios para um fim último; este, quando encara a natureza a partir da ordem das coisas, vê que a natureza é o complexo dos meios, e então apercebe que um Ente Supremo inteligente as dispusera; mas para que fim último, ele não o vê, salvo se se tornar espiritual. Porém, o homem sensual não compreende que possa existir alguma coisa distinta da natureza, assim, nem que haja algum Ente que esteja acima da natureza; o que é inteligir, o que é saber, o que é intuir os fins e dispor os meios, ele não compreende [capit], exceto se isso for dito do natural; e quando isso é dito do natural, ele tem a respeito dessas coisas uma ideia tal qual a de um artífice acerca de uma máquina [de automato]. A partir dessas poucas explicações, pode-se ver o que se entende pelo interior natural e pelo exterior natural, e o que pelos sensuais que foram rejeitados, a saber, que não são esses que são os sentidos da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato, no corpo, mas sim as conclusões que daí se tiram a respeito das coisas interiores.

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