ac 5097

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E José veio a eles de manhã cedo’; que signifique o que foi revelado e é claro para o celeste do espiritual, vê-se pela representação de ‘José’, que é o celeste do espiritual (n. 4286, 4592, 4963); e pela significação da ‘manhã’, que é o estado de iluminação (n. 3458); assim, o que foi revelado e é claro. Que a ‘manhã’, ou ‘manhã cedo’, signifique essas coisas, é porque todos os tempos do dia, assim como todos os tempos do ano, significam vários estados segundo as variações da luz do céu. As variações da luz do céu não são variações diárias e anuais como as variações da luz no mundo, mas são variações da inteligência e do amor, pois a luz do céu não é outra coisa senão a Divina Inteligência procedente do Senhor, a qual também brilha diante dos olhos; e o calor dessa luz é o Divino Amor do Senhor que também aquece diante dos sentidos. É essa luz que faz o intelectual do homem, e é esse calor que faz o seu quente vital e o voluntário do bem. Ali a ‘manhã’, ou ‘de manhã cedo’, é o estado de iluminação, a saber, quanto às coisas que pertencem ao bem e ao vero; estado que então existe quando se reconhece e, mais ainda, quando se percebe que o bem é o bem e que o vero é o vero. A percepção é uma revelação interna, por isso pela ‘manhã’ é significado o que foi revelado; e porque então se torna claro o que antes era obscuro, daí também pela ‘manhã’ é significado o que é claro. Além disso, pela ‘manhã’, no sentido supremo, é significado o Senhor mesmo por essa causa, porque o Senhor é o Sol a partir do qual procede toda luz no céu, e Ele está sempre no nascente, portanto, no despontar da manhã. Ele também sempre se levanta em cada um que recebe o vero que pertence à fé e o bem que pertence ao amor; mas se põe em cada um que não recebe. Não que ali o Sol se ponha, porque, como foi dito, Ele está sempre no nascente, mas sim que aquele que não recebe faz como se em relação a si Ele se pusesse. Isso pode ser de algum modo comparado com as alternâncias que o sol do mundo apresenta relativamente aos habitantes da terra: ali o sol não se põe, porque permanece sempre em seu lugar, e por isso brilha sempre, mas parece como se se deitasse, porque a terra gira a cada dia uma vez ao redor de seu próprio eixo, e então ao mesmo tempo afasta o habitante da visão do sol (ver n. 5084, 1º exemplo); assim, não há também poente para o sol, mas há afastamento de sua luz para o habitante da terra. Essa comparação ilustra, e porque há em cada coisa da natureza um representativo do Reino do Senhor, essa comparação também instrui que a privação da luz do céu, isto é, da inteligência e da sabedoria, não vem disto, que o Senhor, Que é o Sol da inteligência e da sabedoria, Se ponha em relação a alguém, mas que o habitante a si mesmo remova do Reino d’Ele, isto é, se deixe conduzir pelo inferno, pelo qual ele é afastado.

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