ac 5114

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E na vide três sarmentos’; que signifique as derivações daí até a última, vê-se pela significação da ‘vide’, que é o intelectual, do que se tratou logo acima (n. 5113); pela significação de ‘três’, que é o completo e o contínuo até o fim (n. 2788, 4495); e pela significação dos ‘sarmentos’, que são as derivações, pois como a ‘vide’ é o intelectual, os ‘sarmentos’ não são outra coisa senão as derivações daí; e porque ‘três’ significa o contínuo até o fim ou desde o primeiro até o último, pelos ‘três sarmentos’ são significadas as derivações desde o intelectual até o último, que é o sensual. Com efeito, o primeiro na ordem é o intelectual, e o último é o sensual. O intelectual no geral é a faculdade visual que pertence ao homem interno499, que vê pela luz do céu procedente do Senhor, e aquilo que ele vê é tudo espiritual e celeste; por sua vez, o sensual no geral é [a faculdade visual] do homem externo, aqui o sensual da vista500; como este sensual corresponde e foi subordinado ao intelectual, ele vê pela luz do mundo que procede do sol, e aquilo que ele vê é tudo mundano, corporal e terrestre.
[2] Há no homem derivações desde o intelectual, que está na luz do céu, até o sensual, que está na luz do mundo; se não houvesse, o sensual não poderia ter uma vida tal qual a vida humana; a vida do sensual do homem não provém disto, que veja a partir da luz do mundo, pois a luz do mundo não tem em si nenhuma vida, mas provém disto, que ele veja a partir da luz do céu, pois esta luz tem em si a vida. Quando essa luz incide no homem nas coisas que provém da luz do mundo, então ela as vivifica e faz com que ele veja os objetos intelectualmente, portanto, como homem. Daí, pelos conhecimentos que se elevam de coisas que ele tinha visto e ouvido no mundo, por conseguinte, de coisas que entraram por meio dos sensuais, o homem tem inteligência e sabedoria e, a partir destas, a vida civil, moral e espiritual.
[3] Quanto ao que se refere especificamente às derivações, estas no homem são tais que não podem ser expostas em poucas palavras. Há entre o intelectual e o sensual degraus como os de uma escada; mas ninguém pode compreender esses degraus a não ser que saiba de que modo acontece com eles, a saber, que eles são distintíssimos entre si, e que são tão distintos que os interiores podem existir e subsistir sem os exteriores, mas não os exteriores sem os interiores; como, por exemplo, o espírito do homem pode subsistir sem o corpo material, e de fato ele realmente subsiste quando, por causa da morte, é separado do corpo. O espírito do homem está no degrau [ougrau] interior, e o corpo no degrau exterior. O mesmo acontece com o espírito do homem depois da morte: se ele está entre os bem-aventurados, ele está ali no último degrau quando está no primeiro céu, no degrau interior quando está no segundo céu, e no degrau íntimo quando está no terceiro céu; e quando ele está neste degrau, então está, na realidade, ao mesmo tempo nos outros, mas estes descansam nele, mais ou menos como o corporal no homem descansa no sono, mas com esta diferença: que os interiores nos anjos se acham então na mais elevada vigília. Há, portanto, tantos degraus distintos no homem, além do último (que é o corpo com os seus sensuais), quantos são os céus.
[4] A partir dessas explicações se pode de algum modo ver o que acontece com as derivações desde o primeiro até o último degrau [ou grau], ou desde o intelectual até o sensual. A vida do homem, que procede do Divino do Senhor, passa por esses degraus desde o íntimo até o último, e por toda a parte ela é derivada e se torna cada vez mais geral e muitíssimo geral no último. As derivações nos graus inferiores são somente composições, ou, falando mais convenientemente, são conformações dos singulares e dos particulares dos graus superiores sucessivamente com adições de coisas tiradas da natureza mais pura e, em seguida, de uma natureza mais grosseira, que podem servir como vasos continentes, vasos que, uma vez quebrados, os singulares e os particulares dos graus interiores que foram conformados neles retornam ao grau superior mais próximo. E porque no homem há ligação com o Divino, e o íntimo dele é tal que ele pode receber o Divino, e não só receber, mas também apropriá-lo a si por meio do reconhecimento e da afeição, assim, pelo recíproco, é por isso que o homem, porque foi assim implantado no Divino, nunca pode morrer. Com efeito, ele está no eterno e infinito não apenas por meio do influxo que daí procede, mas também pela recepção.
[5] Daí se pode ver com quanto desconhecimento e vacuidade pensam a respeito do homem aqueles que o comparam aos brutos animais e creem que, depois da morte, ele não há de viver mais do que tais animais, não considerando que nosbrutos animais não há nenhuma recepção, nem, pelo reconhecimento e pela afeição, apropriação recíproca alguma do Divino e daí uma conjunção; e como seria tal o seu estado, as formas recipientes da vida deles não podem outra coisa senão serem dissipadas. Com efeito, neles o influxo passa através das suas formas orgânicas até o mundo e ali termina e se esvai, e nunca volta.

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